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ÚLTIMA GUERRA


Me deixe entrar, vim pedir asilo,
Vim meio todo amarrotado,
Meio torto pelo amor perdido,
Meio certo de ter amado,
Vim do oceano de perguntas
Achar a nau de respostas
Que só teu peito contém.

Trago a foto que levei,
Não me engano, é amor, eu sei,
Cantei no coro dos perdidos,
Fiz da cerca dura a liberdade,
Vê, só algumas das matrizes
Que o amor imprimiu,
O sonho de mãos dadas
Já se consumiu,
Tanta lenha na lareira
Que esse peito permitiu,
Sou o mesmo que era antes,
Como à hora seus instantes
Que vez ou outra se repetiu...

Não me despache dessa tenda de carne,
Deixe-me entrar, tenho sede,
Se existe o coração que arde,
A vida me pescou em sua rede...

Sou mais uma baixa dos pecados,
Já não sirvo para trincheiras,
Se tudo é alto fui rebaixado
Para as alturas das certezas...

Vê, tenho o peito sem medalhas,
Tenho a angústia dos tiroteios,
Escorre essa mistura dessas calhas,
Dessa última guerra, o fim,
Que ao amor é o meio.

Vim para ficar, desde que dentro,
Descansar das batalhas, do fragor,
Acender luzes e doce incenso
E te dar todo esse amor.


Preto Moreno













Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 21/05/2006
Reeditado em 23/05/2006
Código do texto: T160250

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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