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Poema 0711 - Amante de sal



Sinto minh'alma como um pedaço bruto de cristal,
a noite é apenas uma hora de qualquer adeus,
na meia-luz, a cama, a insônia,
ninguém sabe a saudade o que me faz,
sou um velho apaixonado que o corpo virou sal.


Volto as noites até a janela que dá pra lua,
embriago-me de carinhos que não sinto agora,
uma estranha luz passa ao longe como uma estrela cadente,
escrevo um desejo na ponta escura do céu,
nenhuma outra tem o amor igual, o que me faz sentir vivo.


Como sei do amor se pouco amei, pouco fui amado,
sou madeira verde, fumaça sem fogo, terra apenas,
um corpo inerte quando caminho sozinho meus espaços,
toco a paixão com dedos sujos de saudade,
paro por um instante, como se fossem milhares de anos.


Meu amor faz sentido, meus sentimentos são puros,
minha loucura é como de qualquer amante,
meus olhos têm líquidos comuns a qualquer tristeza,
emociono-me como um menino apaixonado pelo primeiro amor,
sou pedra e continuo amante de sal, que espera e ama.


05/06/2006
Caio Lucas
Enviado por Caio Lucas em 05/06/2006
Código do texto: T169835
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Caio Lucas
São Paulo - São Paulo - Brasil, 68 anos
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