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Poema 0712 - Conto de solidão




Tenho um olhar de rejeitado a tecer fios de esperança,
distribuo minhas ausências entre os inimigos da minha corte,
não sou rei, não sou nem o bobo deste reinado,
é como se entregasse aos desejos de um amor sem nenhum amor.


Volto a ser vento quando é madrugada,
abro as celas, arrombo as paredes de um paraíso fictício,
renego a taça de vinho que me oferecem, é veneno,
como o que impõe a noite depois do sol ou quando se ela foi.


Muitas vezes me sinto poeta, outras, não me lembro se acordei,
levo nas mãos um coração de minha propriedade,
letras desenhadas entre a pele e o céu de meus sonhos,
conforme caminho, estrelas me seguem marcando a trilha.
     

Deveria respirar no alto de uma montanha azul,
fazer o tempo parar a cada encontro com meus deuses,
posso pedir, mas não tenho certeza, tudo é talvez,
até os pequenos gestos da mão que me oferece vida.


Poderia como uma vez, combinar as cores deste meu desenho,
pintar a torre de meu castelo de cinza, não, azul, azul marinho.
As portas? Não, não existem portas em meus desejos, somente vãos,
vez ou outra uma cortina negra, representando o véu da noite.
             

Não consigo fugir, nem colar um sol na parede do meu quarto,
ele se vai quando vê a tarde chegando, como se fosse abandonado,
sinto falta quando ela vai embora e deixa um rastro de perfume,
é tudo que me sustenta depois que tocam os sinos para recolher.


Falem do amor que não conheço, das mulheres sem sombras.
São meus delírios? Não, estou pleno em uma vida, a minha,
quero o encantamento de qualquer sonho que me faz feliz,
mas se houver tempestades, pára, deixe meus olhos fecharem.


Continuo com meus pesadelos de saudades, ou apenas de amor?
Alterno o prateado da manhã com o dourado da tarde, meu calor e meu frio,
abro meus olhos até as sobrancelhas e nada enxergo, nada além de brisa,
volto para dentro do meu corpo quase vazio, fico apenas eu, sem ninguém.


06/06/2006
Caio Lucas
Enviado por Caio Lucas em 06/06/2006
Código do texto: T170398
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Caio Lucas
São Paulo - São Paulo - Brasil, 68 anos
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Caio Lucas