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Poema 0714 - Quando um dia te conheci




Ainda não é tarde para sentir o sol no rosto,
nada é demais para um homem que caminha tão só,
a melhor estrada é a que leva para perto de alguém,
não para qualquer coração, o verdadeiro me espera.


Quero meu mundo que um dia me prometeram,
as ondas daquele mar que sonhei,
um jardim que as flores não morrem jamais,
deixe-me ser louco destes tantos desejos.


Continuo um passo de cada vez em qualquer direção,
o sol queima no rosto, ora a chuva refresca o silêncio,
assim como um cântico no salão grande da igreja
ungindo pecados que cada um trouxe do seu credo.


Espero outra manhã, mais uma, outros amanheceres,
vôo sem parar, sobre cabeças, entre arvores,
sozinho sei que não conseguirei chegar a este céu,
um pedaço de felicidade que não acontece por acaso.


Quero os verdes, não como sombras de um quarto,
vesti de um nu simbólico do amor que procuro,
carrego o nome daquela que um dia encontrarei,
assim como a música que ouvirei antes de conhecê-la.


Sei que está a caminho deste meu pequeno mundo,
não precisa nada delirante demais, apenas quero,
um beijo sem pedir, um abraço quente,
saber que voltarei a noite sem olhar pro céu vazio.


Tenho pensamentos que me acompanham
fazendo desordem nos meus sentimentos,
volto até uma época que não sei quando aconteceu,
era solto, amante dentro de um corpo de mulher.


Lembro um dia que não havia tristeza em meus olhos,
a fome era somente de um novo amanhã,
encontrá-la em algum lugar branco,
não era céu, era louco, o amor que nos veio buscar.


Uma vez mais voltei a caminhar por entre nuvens escuras,
cantei sim meu desespero quando ficou noite,
já nem arvores tinha a beira destas estradas,
imagino qualquer loucura plantada em um peito frio.


Hoje sigo em torno de uma pequena cascata de paixão,
tem um azul que vai aparecendo pela trilha,
antes de cada passo ouço uma voz que me chama de amor,
para encontrá-la, falta o sino tocar em qualquer uma torre.


Deixo uma vez mais escrito as carências em meus rastros,
o mundo continua amanhecer atrás das minhas costas,
estou partindo mais uma vez a procura das flores,
como alguém me disse em um sonho noite destas.

 
Era quase metade do dia quando a encontrei,
a chuva lavou pedaços dos pecados que cometi,
tudo estava muito perto, escondido em um jardim secreto,
o mundo nada mais era que um coração que não enxerguei.


Quando a vi não usamos nenhuma palavra,
apenas um beijo que simbolizou o branco do amor,
um lenço azul que descia do pescoço mostrando meu céu,
foi assim que senti o vermelho do sangue virar paixão na alma.


07/06/2006

Caio Lucas
Enviado por Caio Lucas em 07/06/2006
Código do texto: T170889
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Caio Lucas
São Paulo - São Paulo - Brasil, 68 anos
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