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(imagem: "Na teia da Aranha" de A. Brito/ www.thousandimages.com)

RASGANDO O SILÊNCIO

Silencio muitas vezes 
quando, longe, 
tua saudade,
incontida ou represada,
me pede 
palavras rasgadas.
Sei. Meu silêncio
 faz as vezes
de algoz, rainha malvada,
da tua emoção escancarada
em voz triste, 
emocionada.
Silencio. 
E meu silêncio
te faz pensar que teu tudo
em mim, 
virou-se um nada.
Silencio. 
E no meu silêncio
mora um tudo que, 
feito espada,
segue rasgando papéis
de uma história que vou,
de um jeito incoerente 
com esta sujeita escrachada,
racional e calmamente,
no meu silêncio gritante,
transformando em desapego,
em mortalha esfarrapada
o que um dia foi muito
mas que, neste instante mesmo,
deve virar-se em nada.
Silencio.
Isso quer dizer muito,
além do que imaginas,
meu silêncio é uma máquina:
devasta vales, colinas,
destrói velhos castelos
buscando abrir-nos estrada.
Silencio, sim.
Mas o meu silêncio pretende,
em cima do teu amor,
construir sem passado, 
sem dor,
uma casa, não castelos.
A golpes de martelo,
sigo limpando o terreno
e te entrego,
em silêncio, quietamente,
minha alma, 
já lavada.
Saudades tuas,
te darei, muito breve,
uma alma nua
e um corpo, 
passado a limpo,
sem véus, uma lua
bem cheia
de vontades não minguadas.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 10/06/2006
Código do texto: T173118

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154036 leituras)
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Débora Denadai

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