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Primeiro e Último Encontro

Olhe, eu nunca pude esquecer
do primeiro encontro com você.
Chovia forte, um temporal, eu nem liguei.
Até bem tarde e bem molhado te esperei.
      Não tinha chapéu para levar,
      mas pouco importava me molhar.
      O meu negócio era você aparecer,
      porém a chuva não parava de crescer.

Numa hora, é claro me desiludi.
Ir embora eu tentei, mas desisti.
Parece que uma coisa mais forte que eu
naquela chuvarada toda me prendeu.
      Eu sorri ao ver teu rosto que surgiu,
      mas já era meia-noite e ele sumiu.
      Naturalmente eu começava a delirar.
      Nem sei depois como é que em casa fui parar.

Hoje vejo o quanto te amei.
Até a camisa que molhei,
guardei comigo a promessa de vestir
no dia em que nós dois pudéssemos sair.
      Mesmo após o bolo tão cruel,
      fui te esperar. Levei chapéu.
      Pensei, se ela faltar, eu não me molho mais.
      Um banho é bom, dois é ruim, três é demais.

Como é fácil ver, não pude cultivar
o que a gente poderia desfrutar.
Porém, se existe uma verdade pra dizer
é que jamais o nosso amor ia morrer.
      Mas, meu bem, fiquei sozinho a esperar
      e ninguém consegue desse jeito amar.
      Hoje não tenho outra camisa pra sair,
      você não veio aquela mesma vou vestir.


Rio, 12/07/1967
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 25/06/2006
Reeditado em 28/10/2006
Código do texto: T181927

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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