Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Agora eu sei

Agora eu sei! (Mas por que custei tanto a perceber, meu Deus?)
Agora eu sei que nós dois somos tão diferentes
Que, por mais que a gente se ame,
Que por mais que a gente  se engane,
Nós dois nunca estaremos contentes!

Agora eu sei que, se formos em frente,
Tudo isto que hoje é só diferente, sem querer vai virar desamor.
Sei que vamos chorar, com certeza,
E nos despedaçar de tristeza, de tão grande que fica esta dor.
Mas estamos tentando o impossível:
Juntar mundos que estão tão distantes e não ver o que está tão visível!

Somos o fruto de doces instantes que nos deu de presente o Infinito!
Foi um sonho que nós dois vivemos num momento tão pleno e bonito!

Um momento, porém, só de encontro - passageiro, como é qualquer sonho!
Vem tão lindo, e nos faz tanto bem,
Chega como um presente de alguém,
Mas é só um agora...
Pois depois, do jeitinho que veio, vai-se embora!

E a gente então chora a saudade,
Quer fazê-lo real, de tão lindo, quer fazer daquele instante algo infindo,
Mas a vida nos chama à verdade: foi um breve encontro com a alegria,
Um desafogar da fantasia que trazemos bem dentro do peito!
É um momento mágico e tão belo que nos vem de um mundo paralelo
Ao qual nos sentimos ter direito!

Mas esse momento também passa e, ao fugir, nos leva toda a graça
Por trazer de volta a realidade.
E é aí que aumenta o sofrimento, por perder tão mágico momento...
Quando então se chora de saudade!

Neste sonho em que vieste,
Eras um corpo celeste
Muito lindo, reluzente,
Cortando o meu infinito.
Quis deter-te mais tempo comigo, transformar-te em meu par, meu abrigo,
Sem notar que prendia o teu grito!
Pois estava mudando a tua estória e invertendo toda a trajetória
Que traçaste pro teu universo.
Sem notar coloquei-te em meu trilho, sem querer fui tirando o teu brilho,
Transformando-te em um ser tão diverso!

Mas como parar na Terra um meteorito?
Como transformar em algo tão perene
o que nasceu para ser apenas um momento,
Algo justamente que é tão bonito
Quando nunca pára, e nunca é solene,
E a própria vida vem do movimento?

Somos esses astros, tu e eu, que agora
Tiveram um só momento ao cruzar no espaço...
E, de tão bonito o nosso encontro e a hora,
Quase nos perdemos nesse abraço.

Deves retornar à tua trajetória,
E eu, voltar à minha velha história,
Já como era dantes deste instante...
Fica-me a lembrança do teu riso...
Fica esta saudade tão cortante
do que pareceu, num breve instante,
Ter-se vislumbrado o paraíso!
Luiz Roberto Bodstein
Enviado por Luiz Roberto Bodstein em 30/06/2006
Reeditado em 13/02/2012
Código do texto: T185034
Classificação de conteúdo: seguro
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Luiz Roberto Bodstein
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil
74 textos (40452 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 14:23)
Luiz Roberto Bodstein