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Realmente Amor.


Todas as palavras sumiram de sua boca naquele momento.
Eu pude perceber claramente toda tristeza fluindo silenciosamente,
Porém a raiva me atordoava,
Você não disse nada, ficou ali parado olhando para mim,
E minha razão se perdeu,
E me ouvi dizendo coisas terríveis,
Ferindo seu coração, golpeando, tua alma...
Eu queria que você gritasse que me dissesse tudo, que estava contido em seu olhar...
Estapeasse meu rosto, sacudisse meu corpo.
Impedisse-me de lhe magoar.
Mas teu olhar estava vazio, era como se você não estivesse ali.
E minha raiva aumentava e eu só queria te ferir...
Naquele instante eu não me dei conta,
Que eu estava ferindo meu próprio coração,
E seus olhos vazios, me torturavam,
Eu queria que você fizesse algo,
Que tornasse impossível o fim,
Que fizesse um mínimo movimento para impedir que nosso sonho morresse.
Mas eu não conseguia enxergar nada além do meu sofrimento,
Que também estava estampado em seus olhos.
Porém eu não o via.
E não conseguia assimilar que seu silencio, também era uma prece muda,
Uma prece silenciosa, para aplacar minha fúria,
Eu não enxergava o que estava na minha frente,
Só via minha dor, e não entendia a sua.
Enquanto eu dilacerava nosso sentimento,
Você me olhava, e eu não parava,
Minha alma sangrava e eu me desesperei,
Quis fugir, sair da sua frente, pois tinha certeza do fim.
Não queria reconhecer, que eu estava matando nosso amor,
Com meus medos infantis e meus modos rudes,
Meu coração ferido, tentava fugir,
Minha mente ordenava que eu saísse, da sua frente,
Mas eu ficava ali, gritando o que eu não queria gritar,
Esperando um movimento seu, uma palavras que terminasse essa angustia,
Essa angustia de lhe ferir, me matando aos poucos.
Mas você me olhava em silêncio,
Sem conseguir mais conter minhas lágrimas,
Chorei por mim, e por você...
Deixei meus passos incertos se afastarem,
Indo para longe, tentando aplacar minha fúria...
Então senti seus braços em volta de mim,
Um abraço, que durou a eternidade,
Minhas lágrimas encharcando seu peito,
Minha dor, e magoa nascidas de meus medos, fluindo,
Apenas sentindo sua força.
Eu senti frio, mas você apertou o abraço,
Tornando mais forte sua presença ao teu lado.
Senti-me fraca diante da tua força.
Mas ao mesmo tempo eu soube,
Que não seriam as duras palavras proferidas na raiva que lhe tiraria de mim...
Eu soube sem você precisar dizer uma palavra sequer,
Que o nosso amor era mais forte que meus medos,
Que você entendia minhas fraquezas, com eu entendia seus gestos e seu silêncio.
Levantei meu olhar e encontrei o seu...
Ali sorrindo pra mim, me perdoando.
Eu só pude murmurar...
Perdão...
E você sorriu e me beijou...
Era sua forma de dizer que tudo estava bem...
Por que afinal...
Não seria uma briga infantil que tornaria o nosso amor fraco,
Se fosse assim não seria realmente amor.
Ainda sentindo sua força ao meu lado, sorri...
E juntos voltamos pra casa,
A nossa casa.
Sabendo que era meu amado, que estava ali ao meu lado.
Sempre.


Vivian Sales de Oliveira
01/07/06
18h32min.
Vivian Drecco
Enviado por Vivian Drecco em 06/07/2006
Código do texto: T188747
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Sobre a autora
Vivian Drecco
Guarujá - São Paulo - Brasil, 32 anos
46 textos (2539 leituras)
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Vivian Drecco