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a mão de veludo

em nome da ninfomania
que sempre me exaspera,
eu vou sonhando de dia
dependurado na noite.

vou me acabando no açoite
que a mão de veludo opera,
mas ela jamais exagera
e me faz carícias também.

me sinto assim como alguém
que foi retirado do armário
pra ser consumido por quem
lhe quer que esteja à mão.

ser jovem é a indócil invenção
do mais saboroso e supremo –
me bota num monte de feno,
me diz que eu sou seu cabrito.

me usa, maltrata. me agito
de baixo de tanto egoísmo.
não me regenero e grito,
pareço um cinto de couro.

me confundindo com ouro,
ela me bota num cofre
e faz entrar outro bofe
que a trata com indiferença.

e eu, já contando com a crença
de que não se sonha acordado,
torço pra que ela me vença,
mas que não me deixe de lado.


Rio, 24/06/2006
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 07/07/2006
Reeditado em 30/10/2006
Código do texto: T189007

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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