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Anjo Mau

Tua presença é o equilíbrio,
a sensatez, a graça,
disfarça uma arrogância;
é elegância, charme talvez,
altivez, complacência,
pretensão de inocência.

Teu rosto lembra pureza,
teu jeito imita nobreza,
o que é positivo, de início;
é verdade, nenhum desperdício:
pode-se dizer que tento descrever
o que se poderia chamar de “o teu lado bom”.

Às vezes tens ar de mistério,
fica sério o teu jeito de olhar;
gostas de brincar sem se comprometer;
meter, jamais ousarias falar;
conselhos, parece que gostas de dar;
chorar?, não perdes o equilíbrio.

É bom, gostoso te conhecer,
viver momentos amistosos contigo;
contudo, nem sempre pareces um anjo,
(como aqueles que tivemos de aceitar),
ou melhor, tua aparência angelical
pode ter outros matizes.

Infelizes aqueles que, como eu,
reconhecem na tua presença
a vontade que sugere teu corpo
moreno, farto, macio, gostoso assim de sentir
mesmo antes de provar,
gostoso só de adivinhar.

Teu rosto pouco diz,
nunca mais que o necessário;
vejo apenas no glossário beijos quentes,
prolongados, lábios que jamais se cansariam;
e o resto?, o resto ficaria por conta
daquilo que decerto chamariam de “o teu lado mau”.

Teus seios pequenos,
mais por tua vontade que pela deles,
são fontes desconhecidas por mim,
mas ainda assim
posso adivinhar o que seja saciar
neles a minha sede.

E agora, sob uma nova roupagem,
olhos, cabelos, tato, olfato, imagem;
teu cheiro, teu colo, costas, os ombros, as pernas;
quem quiser, vá duvidar do que está no meio delas
pra levar pra muito longe a mais nobre tentação;
é isso o que me sugeres nessa nova dimensão?

Esse teu lado é melhor,
é mais vida, mais verdade,
doce plena liberdade,
não porque, na realidade,
fosse óbvio te gostar mais assim,
é o que pensariam de mim,

mas porque o outro lado é mentira,
impostura fugaz, pois não está na altura
desse teu lado jamais;
pois não lhe tem a essência, autenticidade,
maldade; pois nunca foi como o outro,
prenhe de tanta verdade;

prenhe de tanta pureza,
porque é própria,
e de tanta decência,
porque é natural;
da verdadeira presença,
porque não é ilusória.

Nesse teu outro lado,
que nunca entendi como “mau”,
tu és da minha vida a semente
quando te achas presente
ao lado meu afinal,
ao lado meu numa cama

quando ninguém mais me engana
que a um anjo és igual;
queres que a gente imagine,
mesmo que não fosse crime,
te olhar e fingir não te ver,
te olhar e depois te perder,

te ver sem poder te despir.
Vou seguir te adivinhando,
te querendo
ainda quando for te ver sem tocar;
e mesmo que isto aconteça, gozar,
pois, por incrível que pareça,
é mais de ilusão que se vive...

A lua lá no céu me diz
que devo permanecer assim quieto,
sem perturbar a paz do ambiente,
sem desejar demais o aguardente,
sem achar que é mesmo envolvente
o cantar dos passarinhos;

que devo aguardar de mansinho,
pois de lá, bem do fim do caminho,
virá o teu cheiro, teu mel,

tua auréola de anjo bastardo,
tua auréola de filha do Sol.
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 17/08/2006
Código do texto: T218348

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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