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Não-Artificial

Quero comer com a mão
Quero escrever poesias em folhas de papiro
Quero te ver ao vivo e a cores
Quero caminhar de mãos dadas pelas ruas sem receio
Quero que no inverno faça frio para nos entrelaçarmos sobre o edredom, e não um calor artificial promovido pelo efeito estufa
Quero te beijar sob uma chuva de H2O não sulfúrica
Quero te dar uma flor sem pétalas de plástico e com o néctar retirado por abelhas sem mutações genéticas
Quero mastigar um fruto pequeno e cheio de imperfeições, mas sem agrotóxicos
Quero uma mulher com um seio do tamanho que tiver
Quero, como nosso animal de estimação, um vira-lata que coma resto de comida e que não tenha depressão
Quero as rugas que com o tempo lhe aparecerão
Quero uma gargalhada
Mas não quero que o amor seja superficial como todas as coisas me parecem ser
Quero te amar ao som de uma música de 10 minutos que não necessariamente caiba nos 3 minutos permitidos pelas rádios
Quero comer um pão feito pelo padeiro
Um bolo feito pelo confeiteiro
E uma pizza feita pelo pizzaiolo
Lambuzar-me com uma manga até chegar no caroço
Dirigir com o vidro aberto, braço pra fora e a brisa a desarrumar meu cabelo
Ser mordido por borrachudos quando visitar a última floresta que ainda restar
Ter um ataque cardíaco quando encontrar a última mulher que ainda beijar na boca
Quero nu, tomar banho de mar e ser levado pela onda
Quero conversar com você por horas e horas, só que pessoalmente
E que nossa conversa seja regada por um café não descafeinado
Quero te encontrar de verdade, e não virtualmente
Quero te dizer o que sinto do fundo de meu coração
E que ele não tenha marca-passo, cateter ou stents
Que ele tenha saúde por ter vivido amores e paixões estarrecedoras
Que tenha saúde por ter acelerado tantas vezes
Que tenha saúde por quase ter parado tantas vezes
Que tenha saúde por querer sair tantas vezes pela boca
E finalmente, quero que você seja a mulher de minha vida e de minha morte
Que você seja minha mulher de verdade
Que você seja minha mulher real
Quero que você seja a minha realidade
E que nosso amor seja tão verdadeiro a ponto de não ser possível descrevê-lo com a artificialidade das palavras e versos de um aprendiz de poeta. Ou de um aprendiz de apaixonado.

ilsanches@gmail.com
Ivan Sanches
Enviado por Ivan Sanches em 22/08/2006
Código do texto: T222265

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Sobre o autor
Ivan Sanches
Santo André - São Paulo - Brasil, 34 anos
141 textos (12235 leituras)
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Ivan Sanches