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Andrezza

Não sei se você sabe o que vem a ser descartável.
A gente pra você é como uma toalha de papel.
Não sei o que você entende por condicional.
O meu encontro com você se condiciona à carona que vou lhe dar.
Não sei qual a sua idéia de compromisso.
Fica um dia comigo, depois leva logo um sumiço.

Passei todo um dia feliz,
e dez, talvez quinze na mão.
Pra quê tudo isso então?
Pra quê ficar de prontidão?
Pra quê te querer outra vez?
Talvez nem precise de ti.
Preciso de mim muito mais.
A droga é que quando não estás,
eu tenho a maior punição
que possa me infligir:
eu ando pra frente e pra trás,
ficando a chorar e a sorrir.

Mas quando eu chegar e te vir,
lá vem a maior redenção.
Nem quero o aceno da mão,
só quero tua voz pra ouvir.

Não sei qual a idéia que você faz de nós dois juntos.
Eu pergunto: você pensa mesmo nisso
ou é só na carona pra subir pra Guaratiba?
 
Na volta eu venho engrenado,
enfrento glorioso a descida.
O peito todo estufado,
a mente desguarnecida,
alegre ou até esquecida
das horas que vêm pela frente
quando estarás novamente
desaparecida ou ausente
e eu, apesar de carente,
tiver que brincar de achar
que posso dar conta de mim.


Rio, 02/05/2006
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 24/08/2006
Código do texto: T224059

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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