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NEGRAS CANÇÕES

Dentro da noite, com mãos afiadas e coração amolado,
procuro por teus olhos negros, pantera,
procuro pela era de prazer e misticismo,
por recantos no Éden, o desfalecimento da luz,
procuro pelo encanto embrulhado em lábios,
dentro da noite com o coração afiado e veloz
procuro pelas cortinas invisíveis...

Dentro do clarão da noite que me apanha nu,
esculpo a solitária estátua de mármore e bronze,
revelo ao eco o nascimento de uma canção,
trago e separo as lembranças
como poeira de estrelas...

Tuas garras cravam mensagens em meus papiros,
teus suspiros cravam desejos em meus vendavais,
somos assim, ecos distantes de animais
que se perpetuam pelas ruas do tempo,
somos assim, aviões sem calabouços,
atores de filmes ainda não vistos,
somos turistas em um mundo por acontecer...

Negras canções se escrevem em corpos negros e brilhantes,
negras canções são como diamantes apanhados de surpresa,
negras canções são carvões grafitando moléculas,
negras canções são divisões silábicas
entre o soluço e o prazer.












 
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 11/09/2006
Reeditado em 12/09/2006
Código do texto: T237698

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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