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ESQUINAS

Procuro teus olhos
pelas esquinas da cidade
e encontro velhos amigos,
que me contam histórias tristes

Procuro teus olhos
e encontro lágrimas de amigos

Tantas esquinas, tantas ruas
e a tua distância é forte demais
para passar alheia
por meu espírito

Ontem à noite, não dormi!
Sombras dançavam no teto
e eu pensava que podia ser
a tua chegada rompendo a porta

Não. Não era. O que tenho
são as lágrimas de meus amigos
rompendo as portas de minha dor

Não. Não sou eu o maior sofredor
dessa vida insana, intensa, insone
Há outras dores entrecruzadas,
dores sentadas, espalhadas,
urbanas dores em ônibus,
em quartos, consultórios,
sobre camas, divãs, bancos de praça,
dores sem rosto, enterradas
sob montanhas de maquiagem,
vestidas de seda e cetim,
vestidas de nada e de vento,
dores nuas, cruas, despidas
de glamour,
de élan,
de feeling,
dores secas, inundadas de éter,
bêbadas, trôpegas, lânguidas,
outras dores

A minha, a de não te encontrar
é apenas uma entre tantas

A dor é estar distante da ilha
largado para a morte

em alto-mar




Francisco C
Enviado por Francisco C em 14/09/2006
Reeditado em 06/12/2006
Código do texto: T240012

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Sobre o autor
Francisco C
Porto Velho - Rondônia - Brasil, 48 anos
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Francisco C