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FERA



Quando te conheci, calma como pêssego na fruteira,
Leve como espuma branca e suave na banheira,
Respiração leve como um pássaro que acabou de acordar,
Gestos de samurai que abandonou a arte de matar,
Me apaixonei,
Desviei meu curso,
Deixei de ser mudo,
Vi o mundo com outros olhos,
Vi que possível tudo é,
Tua presença mulher
Derrotou meus internos inimigos,
Tua presença morena
Acabou com pesadelos vividos,
O aroma de fresca sombra de mangueira,
O fonema que expeli por tremedeira,
Minha mão temendo o não de seu toque
Levou meu corpo à reboque,
Pendurei minhas palavras nos galhos secos
E as molhei com respingos de beijos frescos,
Mais perto ainda vi o que era,
Fera,
Garras sob as barras de aço de uma extensa jaula,
Lampejos de medo como lâmpada morrendo numa sala,
Fera,
Imenso brilhante no breu da escuridão,
Um fiapo de luz escorrendo pelo chão,
Fera,
Vi que em mim morava o que eras,
Dizem da metade que um dia se encontra,
Fera,
Esta metade já estava pronta,
Dizem que houve um brilho intenso no céu,
Um sussurro de monstro ao se ver sem véu,
Um big-bang de coloridas tessituras,
O cosmos dançando suas nervuras,
Fera,
Sim,
O que eras.
 

Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 15/09/2006
Código do texto: T240955

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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