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Mar dos olhos

Mar dos olhos

Quando me tocas
Com essas mãos
Molhadas
De sabor a mar
Sensíveis, salgadas

Eu me espanto!

Na doçura do teu olhar
Reflectido nas pupilas
Adivinho o quanto
Tu choraste
Ansiaste
Para me abraçar

O que sofres, é sempre passado.

Quando nos meus braços te abandonas
solicitas-me desejo. Único momento,
quando em ti me afogo, não sou, não somos
desejo ou saudade, apenas espírito leviano
que nos corpos aportou.

Nada me dizes,
consumada a transcendência,
Do que te invade no dia e na noite,
Quando não estou.

O espírito foi-se
Procura outra alquimia
Mais mundana e vil
No vento dos sussurros
Na cidade inquieta, adormecida
Pelos medos soturnos
Da própria existência ferida.

Mas teus olhos não abandonam
a vidraça da janela, que é fria e quebrável.
Junto dela, esperas que a noite se rasgue no ventre do dia.
Que o verbo regresse e esconda em ti a apatia

O verso descrito nos límpidos lençóis
Inócua promessa de que um dia
Todos, seremos apenas dois

Na fogueira da noite fria
Nada existe depois.

Depois… bem, depois
Somos madrugadas…

Quando me tocas
Com tuas mãos
Molhadas
Das lágrimas de mar
Ternas, salgadas

Eu, ainda me espanto!


Luís Monteiro da Cunha
Enviado por Luís Monteiro da Cunha em 08/10/2006
Código do texto: T259256

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Sobre o autor
Luís Monteiro da Cunha
Portugal, 54 anos
36 textos (837 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 23:12)
Luís Monteiro da Cunha