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CARÍCIAS


Todo homem pensa que a ferramenta do corpo,
seu braço, é para levantar pontes, abrir fôsso,
erguer pedras, fundar muros,
tingir a alta torre,
explicitar urros...
Mais que isso, ao suave movimento quando se entrega,
quase um desfalecimento corpóreo que à si não nega,
toca o rosto grave da mulher amada,
um bico de colibri em flor rosada,
esquece a barbárie em que foi aprendiz,
esquece, pêssego, como quem diz,
em você desenho as linhas do meu coração,
um mapa carnudo posto em suas mãos,
um pirata que renuncia aos mares
pois que põe-se em vários amares...

Todo homem pensa que o corpo é fruto de sua força,
limítrofe da tensão e avançado à sua distensão,
um vasto campo de púberes carinhos
escapa ao pintor que só vê o ancinho,
como pétalas em carminados tentáculos
o homem verdadeiro oferece seu espetáculo,
breve como a noite agarrada ao sol,
de pena úmida seu másculo anzol
apanha a presa que já lhe é livre,
pois que no encontro a liberdade vive...

Todo homem é todo enquanto labareda e fogo;
todo homem é chama enquanto luz esguicha;
todo homem é parceiro quando ela é jogo;
todo homem bruto é bruta paz carícia.

 









 
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 20/10/2006
Código do texto: T269383

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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