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ONTEM

Depois da queda, depois de abandonarmos o paraiso,
soubemos que houvera um ontem com seus precipícios,
nos dissemos que tudo foi apenas uma pequena história,
um romance escrito por quem perdeu a memória,
seguimos os passos da serpente, ela, que, gente,
estendeu o mais vago dos tapetes das mil e uma noites,
abriu-nos o teto solar com ventiladores de foices,
rolaram nossas cabeças pelas encostas das montanhas,
rolaram venenos nos rios de nossas entranhas,
e a pedra foi construida, foi construida a vida,
e seus telhados com músculos que foram suas vigas,
e eu, suposto dois dentro de um, amanhecido e sem ver,
vi você, suposta uma dentro de dois, quis te querer,
e de um naco do meu dentro foi-te feita tão bela,
tu, a espiar por dentro como eu se fosse tua janela,
respiramos o ar do mundo, ao fora demos o tão dentro,
as asas, encolhidas como ponteiros de um relógio sem tempo,
amamos como os humanos devem amar, doces de férias,
salgados de mar, pontos luminosos de artérias
fluindo o sangue de estrelas que nasceram no jardim
construido por quem nasceu e foi criado bem antes do fim.












 

Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 26/10/2006
Reeditado em 26/10/2006
Código do texto: T274253

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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