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QUASÍMODO, CORCUNDA DE NOTRE DAME


'ó Quasímodo, corcunda de Notre Dame!
o druida da poção mágica agora chame,
pois se não o fizer, depois não reclame!'

mas, Quasímodo se escafedeu ali no ato,
desaparecendo na torre sem espalhafato,
deixou o bispo fulo da vida pelo desacato.

Quasímodo longe das vistas, e d'ouvidos,
elocubrava pensamentos, aos grunhidos,
e, de pensar no druida, soltava gemidos.

este era apenas um fantasma mui louco,
a rondar à noite e a gritar em tom rouco,
fazendo o pobre corcunda dormir pouco.

entretanto, o mago portava uma garrafa,
onde borbulhava a poção que tira estafa,
feita de gengibre, alecrim e broto d'alfafa.

era a cura prá ziquizira, dor-de-cotovelo,
feita com muito cuidado e muito desvelo,
e o antídoto pro veneno de cobra-capelo.

à procura d'um homem o mágico andava,
tal qual Diógenes, que a todos indagava,
mas, como espectro a todos assustava.

o bispo, ouvindo falar do poder da poção,
todos os esforços envidara numa missão,
a de se apossar daquela insólita infusão.

estava já caquético, era doente incurável,
achava que toda velhice era lá detestável,
e não se conformava em ficar imprestável.

via ele, no corcunda, o meio prá se salvar,
pois este o druida não conseguia assustar,
e, somente ele à tal poção poderia chegar.

como Quasímodo a atendê-lo se recusou,
mesmo a tremer de medo a este dominou,
o tal espectro, gritador, o bispo procurou.

quando o fantasma viu o bispo se achegar,
descobriu que era ele que estava a buscar,
aquele a quem sua poção o faria se vingar.

porém, o pavor foi mais forte que a vontade,
e o bispo infartou de medo na obscuridade,
fazendo o espectro retomar a racionalidade.

aquilo o libertou do voto feito lá noutra vida,
o de matar o bispo que matara sua querida,
na França que ainda não se fizera nascida.

eis Quasímodo acusado por uma tal morte, 
ele rebela-se, faz da Catedral praça forte,
e, tomba por fim, apesar do taurino porte!

todavia, o Fado nem sempre traz má sorte,
pois o Amor sempre vem, do sul, do norte,
fazendo o aleijado procurar sua Consorte.

ainda que morta, a Amada é-lhe o suporte,
antes que o carrasco o pescoço dele corte,
dá-lhe a beber da poção prá que o conforte.

Moacir et Selena 2006
brilhe a vossa LUZ!

Quasímodo: personagem principal do romance
de Vitor Hugo 'O Corcunda de Notre Dame'.

***** sinopse ***** 

Na Idade Média, um corcunda chamado Quasímodo
mora na torre entre os sinos da catedral de Notre
Dame, em Paris. Um dia ele conhece Esmeralda,
uma bela cigana, por quem se apaixona, mas para
conseguir concretizar seu amor, ele precisará
enfrentar um poderoso rival, o malvado preboste
Claude Frollo, seu guardião, e seu fiel ajudante Febo.

*****

Quasímodo (II)

tu te rís, Quasímodo ignorante?
tu não tens teu um Rocinante,
sequer qualquer outro galopante;
porque então esse teu rompante?
assim, rís de um modo alucinante,
louco de vontade por uma Amante?
és apenas uma sombra, anelante...

Moacir et Selena 2003
brilhe a vossa LUZ!

não quero, irmãos, que sejais ignorantes

(I Coríntios 12:1)



Moacir et Selena
Enviado por Moacir et Selena em 27/10/2006
Reeditado em 27/10/2006
Código do texto: T275367

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Sobre o autor
Moacir et Selena
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
736 textos (71175 leituras)
8 áudios (1059 audições)
5 e-livros (2339 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 00:54)
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