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A PAIXÃO COMO UMA FRUTA

Mordeu a fruta,
na língua o sabor se espalhou
e desceu a carne branca mastigada
garganta abaixo.

Doce o sabor
à primeira mordida.

Outro pedaço,
mais outro,
e o que era fome
como uma névoa se dissipou.

Sentiu o corpo forte,
sentiu a alegria
de mais alguns momentos na vida,
sentiu um estranho frenesi.

E quis mais outra fruta.
No cesto, havia outra.
Comeu com fúria,
famélico, à beira da morte.

Mas não havia outra fruta!
Não poderia passar sem outra,
mas outra fruta não havia.
Decidiu buscar a árvore.

No caminho encontrou outras,
todas estragadas,
frutas bichadas.
Não comeu: temeu morrer.

Até que encontrou a árvore.
Subiu um galho,
pegou uma fruta,
mastigou um naco.
Surpreso, percebeu
que o sabor era outro,
menos forte,
menos frenético,
porém definitivo.

E se rendeu a uma sensação
de candura, de singeleza.
Sentiu a liberdade de ser,
de seguir, de estar
onde bem quisesse.
Sentiu uma outra alegria.

As raízes da árvore - ele viu! -
eram muito firmes.
Os frutos, de sabor diferente,
alimentavam mais.

E ele viu
o amor como uma árvore.
Francisco C
Enviado por Francisco C em 03/11/2006
Reeditado em 07/11/2006
Código do texto: T281075

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Sobre o autor
Francisco C
Porto Velho - Rondônia - Brasil, 48 anos
363 textos (25669 leituras)
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Francisco C