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Tristeza



O que ocorreu para eu estar só?
E agora querida minha,
O que farei sem saber mais de você?
Até a poucos instantes,
Nossos olhares se cumprimentavam.

E agora o que será de mim se estou mudo,
Calado, amedrontado frente ao mundo?
Sempre pensei que caminhasse absoluto!
E que minha inteligência fosse soberana e clara.
Como fui tolo em não percebê-la como parte minha!

Sinto-me desnudo frente a este devaneio devastador
Feito lâmpada cansada!
Teu olhar não mais reflete o brilho, apagou-se.
Esta multidão à sua volta,
Este lúgubre caixão envolto por rosas,
Para onde vais tão apressada e solitária?

Que serei sem a tua presença?
Faz calor, entretanto sua temperatura é glacial.
Teu coração! Não mais ouço seus batimentos
Tudo está longe e solitário...Sonhos interrompidos.
Sem vivacidade, fervo em lágrimas,
Rodeado por pessoas condolentes.

Onde está você que não mais senta à mesa,
Não me provoca com suas frases exuberantes,
Onde a beleza do gesto e sua fala macia,
tornavam a delicadeza da palavra admirada?
Volta, venha degustar o aroma de teu licor,
Rendida à cadeira de balanço!

Porque partistes sem mim, vida minha?
Como pode ausentar-se e parar de ser ativa
Sem ao menos terminar a sua maior riqueza:
A façanha de terminar o teu livro?
Você não passa, confuso, vejo tudo a passar por mim

Alguém me diz que a vida é mesmo assim,
Outras já querem ocupar o teu lugar,
com abraços calorosos, cortejam-me.
Não entendo a indelicadeza da morte,
Para onde a levam, este cortejo, esta cova...

Presencio temeroso e pasmo,
Sucumbir minha existência...
Qual insucesso funesto teria desabado sobre meu lar,
A ponto de interceptar a alegria de viver,
Sem sabermos o significado de nossa existência?

Na aquarela da vida, perdi a tonalidade.
Meu arco íris está desbotado.
Sinto-me petrificado e daltonizado.
Nao mais observo a passagem da vida,
Apenas enxergo o mundo pintado de vermelho.

Que há de ser de mim, que nasci somente para você!?
Porquê o que mais amo teve que partir assim!?
Que Deus é este, que a fez partir sem mim?
Que Deus é este?
Sei que existe o criador, mas expresso minha revolta.
Enquanto agonizo com minha grande dor.

Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 27/06/2005
Reeditado em 05/12/2009
Código do texto: T28367
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Sobre o autor
Paulo Izael
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Paulo Izael

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