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O Itinerário do Poema

Era o caos no universo das palavras.
na confusa forjaria das estrelas
a luz se dispersava sem destino...
A lua mudava de quarto sem repórter
que timbrasse seu trajeto luminoso.
Os sinos transpiravam sílabas trêmulas
na efêmera paisagem dos ocasos.
E a poesia das auroras não passava
de vago esplendor desperdiçado.

Não havia registro musical que relatasse
a sinfonia de cristal dos passos frágeis
no tapete de folhas das calçadas,
nem alfabeto humano que imprimisse
o idioma dos anjos na canção,
nem tradutor de flores que soubesse
do diário do belo na roseira
escrito com pétalas e aromas.

As palavras mais bonitas
dormiam despidas no silêncio,
exiladas em nuvens de papel
no sono empoeirado das gavetas.
Enquanto o poema era pedra,
sem forma nem pena que o moldasse,
o verso rastejava em pauta estéril
qual acorde amordaçado no silêncio
em constante gestação interrompida.

Mas, um dia, trouxeste em tuas mãos
o código da rosa, a partitura da fonte
e me entregaste a chama tênue da magia
e me ensinaste o itinerário do poema.
Acordaste os acordes dos fonemas,
ordenaste a palavra na insônia
e a música vazou em verbo e tinta
porque eu aprendi, em teu olhar,
a tradução secreta das estrelas.
Porque me fiz teu aprendiz
pra decifrar a poesia.




Vaine Darde
Enviado por Vaine Darde em 17/11/2006
Reeditado em 17/11/2006
Código do texto: T294140

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Sobre o autor
Vaine Darde
Capão da Canoa - Rio Grande do Sul - Brasil
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Vaine Darde