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Um cego amor

Dei-lhe tudo que tinha
Ensinei-lhe meus truques
Desatei em prantos
Nos apuros dos sonhos de não estar comigo

Carreguei sua vida nas costas
Abdiquei de tudo que não fosse seu
Dediquei-me como cão
Adivinhando-lhe os desejos à mínima menção

Esqueci meus planos
Apaguei-me de mim
Definhando insano
Ano após ano num transe sem fim

Das outras pessoas
Sequer lia os lábios de alerta
Hipnotizado, doente, patético!
Prestava-me aos mais leves caprichos seus

Sua dor era minha dor
Velava seu sono para espantar-lhe os pesadelos
Seu franzir de testa me deixava em alerta
Jamais percebia o próprio desespero

De tempos em tempos uma sensação sutil
Acaricia a lembrança como um desafio
Como a tentação ao retorno de um vício
Como oficina impregnada dos cheiros do ofício

Mas resisto...
Raspo as forças do recipiente de uma alma vazia
Como se aquele gozo fosse agonia
Como se ficasse melhor como estou

Procuro a qualquer coisa viva
Como um periscópio submerso em lama
Uma mecânica direção me toma
Como um vôo sem plano, como nau à deriva.
Edbar
Enviado por Edbar em 19/11/2006
Reeditado em 28/11/2006
Código do texto: T295693
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Edbar
Recife - Pernambuco - Brasil, 65 anos
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