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SONHAR-TE

Publicado na coletânea Vôo Independente, edição de 2002, da associação Gaúcha dos Escritores Independentes.

Quando me disseste o que disseste,
Ouvi o que ouvi e calei.
Não chorei, não urrei, não bati com raiva meus punhos,
Nem pedi socorro.
Mas senti uma bruta dor aqui no peito, sufocando.
Não uma dor estranha, muitas dessas já senti;
Nenhuma dor extrema ao ponto de me matar.
Eu é que a matei em seco, engoli calado,
Morreu no peito, no duro, no fundo do peito

Quando dissestes o que eu não queria ouvir,
Ouvi quietinho, fiquei caldo, chorei sozinho.
Engoli em seco e toquei o barco prá frente.
Segui remando meu barco de tantos buracos,
Rombos mil, por onde escoaram meus sonhos,
Por onde também me inundei de tristeza.

Mas não afundei – é meu destino flutuar.
Logo encontrei a praia, quando quase náufrago.
Por isso estou ainda a flutuar no leito,
Seco leito, no caudal da solidão assoladora;
Onde não tem teu perfume nem teu mundo;
Onde não se ouve teu sorriso de adolescente
E onde não se vê teu jeito de criança contente.

Mas tem a lembrança de teu beijo molhado.
Aquele beijo que jamais provei,
Mas sonhei e no sonho me convenci,
Pois descobri que se não ganhei ainda,
Talvez seja só porque não mereci.

E Merecerei?
Um dia, talvez - Quem sabe? Não sei.
Mas se ganhasse esse beijo teu só uma vez,
Eu sei: nunca mais ia deixar de querer ganhar
Brilhante na Glória
Enviado por Brilhante na Glória em 22/11/2006
Código do texto: T297987
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Sobre o autor
Brilhante na Glória
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil, 50 anos
44 textos (2237 leituras)
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Brilhante na Glória