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Poema 0892 - Louco, eu?







Diz-me, estou louco, não me incomoda,
o mundo precisa de mal tanto quando do bem,
um pouco do sujo das ruas, do vento contaminado,
das paredes rachadas ao meio pelos gritos,
o som da raiva indo de ouvido a ouvido.







Diz-me estar louco, grita um pouco mais alto,
sou abstinente da lucidez, admito,
tracei uma linha entre a loucura e a morte,
combinei caminhar as noites do meu fim,
arrastar meus pecados até que se desmanchem.







Diz-me da sua generosidade e direi muitos não(s),
gosto dos falsos profetas, das bruxas, da chuva,
negarei a vida até que um raio parta os pecados ao meio,
insano, volto a cada dia uma noite pra além da morte,
não creio no homem, no amor, apenas nas suas negativas.







Diz-me que voltarei a ser um anormal e voltarei a amar,
apaixonarei por uma mulher, farei amigos,
não acredito que um dia o homem mostre sua verdade,
existem linhas de conduta, nele, só linha,
que levam a um único e derradeiro lugar, ao tumulo.




 
Diz-me da sobriedade dos amantes, das juras, das verdades,
direi das mentiras, dos logros, das traições,
dos rastros que fazem caminhando entre camas,
das marcas que deixam os batons nas bocas d'outros,
dos sexos pervertidos que abrem e fecham como comércio.







Diz-me que sou louco, diz agora?
Não acredito que ainda dirá da sua honestidade,
dos amigos que traiu, do corpo que sujou na luxúria,
da gula, da ânsia de lucros, da ambição desenfreada.
Diz-me que sou louco, a insanidade é inerente ao ser humano.
 




22/11/2006





Caio Lucas
Enviado por Caio Lucas em 22/11/2006
Código do texto: T298392
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Caio Lucas
São Paulo - São Paulo - Brasil, 68 anos
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