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Onde Nunca é Primavera

Sabes o que me dói
na bárbara geografia da metrópole
com seus acidentes arquitetônicos
e lagos artificiais sujando o céu?

Sabes o que me dói
na cotidiana  romaria dos operários
que migram da periferia
com o a esperança na marmita?

Sabes o que me dói
no transe coletivo da colméia humana
pululando na avenida
sob a clave do relógio?

Não, tu não sabes o que me dói
quando, à noite, as crianças na janela
confundem o alerta das antenas
com as estrelas submersas no luzeiro.

Não, tu não sabes o que me dói
quando, a cada ocaso turbulento,
a urbe se povoa de angústia
no exílio das grutas de concreto.

Não, tu não sabes o que me dói
na paisagem vertical
Impedindo que os espelhos
vivenciem o pôr-do-sol.

Ah, o que me dói e tu não sabes,
é saber da tua ausência
pelos longos logradouros
onde nunca é primavera.

É saber que não viveste
a rotina operária
de um retorno para casa
na aventura de um trem.

É saber que tu só vives
onde a vida é uma metáfora
e impedes a cidade
de brilhar com tua luz.



Vaine Darde
Enviado por Vaine Darde em 22/11/2006
Reeditado em 22/11/2006
Código do texto: T298640

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Sobre o autor
Vaine Darde
Capão da Canoa - Rio Grande do Sul - Brasil
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Vaine Darde