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Poema 0902 - Abandono







Poderia viver só em uma cabana,

não ia importar a cama, o sono,

nem mesmo a hora que o sol levanta,

tudo seria apenas normal,

sem tudo que amo e nenhum te amo.





Diz-me que loucura inventaria,

que tempo ia agüentar sem aquela mulher,

todo o mundo seria apagado do meu,

os ponteiros sumiriam do relógio,

como a vida da minha pobre alma.





Foi assim que inventaram a festa,

quando foram excluídos os amantes,

não fugiram aos pares de suas cabanas,

à noite foram abandonados, cada um,

e esperaram, esperaram sem o riso na boca.





As mãos recostam a cabeça no topo da porta,

os olhos caminham dentro dos pensamentos,

nada mais importa,

cai a chuva e nem assim importa, vem o sol,

não importa se amanhece ou já é noite.





A imagem daquela mulher vaga pela casa,

suas formas desfilam pelos cômodos vazios,

procuro lembranças alegres noutros tempos,

nada de gritos dentro de mim,

tento uma oração? Não, não devo implorar.





Desejo algo que me consola, um abraço talvez,

um sorriso aberto depois de um beijo,

o arrepio que corre as costas sem incomodar,

tento convencer-me que este calor é normal,

o lado de fora do corpo nada tem a ver com o sentimento.





Peço aos céus que me recolham antes da noite,

não consigo ficar separado,

preciso de algum milagre, seja qual for,

desculpe-me senhor se não sei implorar,

a dor nos faz repensar palavras malditas.





Volto o caminho que segui desde que a conheci,

as noites, os beijos todos, as palavras boas,

mãos que completaram com o carinho,

à vela na mesa de jantar quase apagando,

uma rosa jogada sob o guardanapo de linho.





Ela e eu sonhávamos com outras noites,

parece que caiu a mesma chuva de agora,

voltam às lembranças de tudo que nos importavam,

os gritos de socorro silenciosos dentro de mim,

e eu a espera, esta noite somente eu a espera dela.





29/11/20060

Caio Lucas
Enviado por Caio Lucas em 29/11/2006
Código do texto: T304914
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Sobre o autor
Caio Lucas
São Paulo - São Paulo - Brasil, 68 anos
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