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ASSIM FOI O DIA


O dia? Passou rápido como um raio,
Deixando no mundo somente um rastro
Além da atmosfera remota, agora atualizada,
Pelo santuário do universo superado.
Que desejam os homens: deparar-se
Com um novo planeta, onde dá para ser feliz?
Brincar de fazer amor? Tentar ser bem-sucedido?
Conseguir certificado de divindade-avançada?
- Daqui a pouco no espaço aéreo ninguém mais consegue se entender -.
Minha amiga lavadeira não se assuste não.
Há sempre uma toada para você cantar
Para cortejar a fantasia, embora a ruga
Do tempo prefira o jaboti
Em seu tranqüilo ficar aqui próximo,
Jabotiano no script adequado...
É essa a condição: um adejar aos saltos,
Às lamentações, às estimativas e impulsos,
Entre desventura e conhecimento, na poética
Do desconhecido posta num só milênio.
Ninguém entende bem o tal assunto
De que tanto fala; e o Papa João Paulo II,
Dos presbíteros a ouvir o furioso grito,
Chore, quiçá, ou se conserve mudo?
Eu não aceito o argumento, diz a voz
Em volta, por cima e em nosso interior,
E o homem, enquanto assim rejeita,
Da própria rejeição faz uma festa.
Se bem que ai salta o Rei-momo,
A confirmar que ciranda pelos ventos
Um montão de ternura para o obeso,
Que por isso deixou de sentir a agonia da
Dieta, pondo toda sacarose
Na xícara de café, no suco de maracujá...
Ai vida, que simplicidade quando negros,
Magros e gordos, de mistura,
Puderem se sentir amados igualmente
Em toda a parte do mundo
E os povos forem todos uma só nação,
Na suave paz do homem jovem!
Endoidece, minha inspiração? Por ora
Não devo rezingar liberando tanto.
Olha o Dia do Professor; o Mestre
- que dinheiro pouco recebe -
Aceitando de bandeja
Galanteios de carinho e de piedade...
E, o Rio calou-se ao show dos Rolling Stones:
Busco um doce átono para revelar a ausência,
A grande amargura da música perdida, entre o amor
E a guitarra havaiana, o contra-baixo? Som
Do Rock, que já, silencioso, em metal mágico.
Mas continuaremos assim, com Drummond,
O pintor, átono, e toda a sua vida
Transformada em escritos dos mais finos,
Que agora lemos na Biblioteca Nacional: escrever é destino
E recompensa de poder viver depois da morte
Tão distante e tão rápida expirada a vida.
E salve, salve a Seleção Brasileira:
A dor há de passar, se o ataque fizer alguns gols.
Time, torcedores, numa só voz, neste momento,
Vamos bradar: Avante Brasil
E deixemos de brigas, meu povo.
Com a palavra os pés e bola para frente.

R J Cardoso
Enviado por R J Cardoso em 02/08/2005
Reeditado em 15/04/2006
Código do texto: T39784
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
R J Cardoso
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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R J Cardoso