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Poema 0419 - Alucinações de poeta


 
Voltarei quantas vezes meus sonhos me levarem,
estarei presente mesmo que ainda não me veja,
escondo carinhos em dobras do seu corpo,
preciso viver, mesmo nestes faz-de-conta da vida,
piso no passado e largo pedaços de solidão pelo caminho.
 
Giro meu mundo entre paixões que se dissolveram na chuva,
levantei as mãos aos céus em uma prece simples,
insinuante, vesti uma máscara que me cobria o passado,
passei pelos sonhos dos meus desencontros,
enquanto o céu me prepara uma nova trilha a seguir.
 
Poderia eu subir até o topo deste meu mundo louco,
o vazio continua no peito, as mãos limpas doutro corpo,
os olhos não refletem nenhuma imagem das lembranças,
jamais brinquei de fazer amor, ainda assim brincam comigo,
esqueço a hora, esqueço os dias, não minhas necessidades.
 
Plantei algumas poucas flores em pedaços de felicidade,
voltei muitas vezes ao passado e não enxerguei vida,
não sinto as tão prometidas carícias,
experimento ir mais além, tomo, roubo, ainda assim não me vêem,
então guardo meus braços sem um corpo para aquecer.
 
Voltarei a questionar minhas lágrimas, não as desejo,
não deveriam existir, assim como a solidão, a tristeza...
deixaria ficar em seu lugar um vazio, quanto à alegria, o sorriso,
mostrando os lábios abertos como um mirante,
então as palavras saem soltas, livres, misturadas ao carinho.
 
Autorize-me a sonhar mais esta noite e tantas outras,
deixo minha respiração baixa para que não se assuste,
andarei devagar sobre seu corpo adormecido,
devolverei os carinhos que em seus pensamentos foram meus,
desligarei seu relógio da vida, enquanto roubo seu tempo.
 
Então poderei falar da minha paixão, sem medo, talvez,
julgo-me adolescente, vez ou outra adulto demais,
mas entre seus braços sou um amante comum, seu apenas,
como também em meus sonhos de todas as noites,
fecho agora meus olhos para senti-la perto, assim lhe tenho.
 
Deixo para a humanidade minhas poucas loucuras de vida,
aos inimigos, se os tiver, a solidão doutras noites,
aos amigos algumas letras desenhadas como aprendiz,
pedaços de livros que se gastaram junto com minha alma,
as brasas jamais acenderam as lareiras das casas que vivi.
 
À mulher que amo deixo meus pedaços de felicidade, todos eles,
momentos que ficaram entre nossos corpos dividindo o suor,
a paixão guardei em um embrulho pequeno no seu coração,
por favor, abra bem antes da minha morte, leia em meus olhos,
dou graças ao amor amado, à paixão que me fez poeta, dou graças...
 
24/08/2005

Caio Lucas
Enviado por Caio Lucas em 24/08/2005
Código do texto: T44697
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Caio Lucas
São Paulo - São Paulo - Brasil, 68 anos
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Caio Lucas