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Aqueles olhos...

O que estamos fazendo?
Será somente eu,
tudo simplesmente se transformou,
em um piscar de olhos,
na velocidade de uma bala,
vindo em direção ao meu peito.

Aqueles olhos,
eu conheço aqueles olhos,
rasgando minha pele,
lendo minha alma.

O olhar,
invadindo meu pensamento,
confudindo meus sentimentos,
mudando meu destino,
me jogando contra a parede,
ameçando minha vida,
e minha sanidade.

Ouço com atenção aquelas palavras,
enquanto leio teus lábios,
tentando gravar cada segundo,
na fita da memória,
mesmo que não faça qualquer sentindo,
mesmo que tenha o efeito de uma arma,
mesmo que seja um monte de mentiras,
mesmo que não signifique nada.

Tudo pode ser amanhã desmentido,
tudo pode ser no outro dia esquecido,
tudo pode ter desaparecido,
enquanto eu saía com o carro,
a mil por hora,
cortando as ruas,
furando sinais vermelhos,
mostrando minha fúria,
fugindo dos meus medos.

Estava correndo de ti,
de tuas palavras,
de teus sentimentos,
caindo sobre minha cabeça,
como uma tempestade,
eu não tinha onde me esconder,
não consigo me esconder,
por mais que eu corra,
você sempre sabe onde me encontrar.

E continuo correndo,
de olhos fechados,
não quero saber o caminho que faço,
para não ter como voltar a trás.

Vou me jogar,
do alto do prédio,
para o infinito,
para longe,
na tempestade de sentimentos,
que me afoga,
que me sufoca,
que não me deixa cair.

Vou me afogar,
em meio a dor,
congelada,
no fundo do peito.

Você era apenas uma lembraça,
uma história de criança,
um amor de inverno,
em uma adolecência distante,
viva até hoje.

Quantas vezes amecei,
jogar me da janela,
gritei teu nome,
mas você fingia não me ouvir.

Me deixou esperando,
por ninguém,
alguém me acudiu,
me fez esquecer,
me fez acreditar,
eu ainda poderia ser feliz.

Sicatrizei as feridas,
o peito e o pulso,
não sagravam mais,
a arma estava guarda,
a raiva enterrada,
nem seu túmulo,
eu tive coragem de olhar.

E você,
caminhando,
se confundindo com a chuva,
enquadrando a despedida,
e você nem siquer olhou para trás,
sequei a lágrima,
rolando e cortando meu rosto,
e jurei para mim mesma,
era a última vez,
nunca mais voltaria a chorar,
e matar por ti.

Era última vez,
nunca mais deixaria aqueles olhos,
me invadirem a alma,
conhecerem meu coração,
nunca mais,
jurei para mim...

Encarando agora esses olhos,
eu nunca tinha visto,
aquela sinceridade,
dizendo coisas,
eu tinha esperado ouvir,
me sinto caindo de um absmo,
o chão se abriu,
e nem percebi,
o momento certo,
onde deixei,
aqueles olhos,
me rasgarem a pele,
invadirem a alma,
arrancar-me o peito,
e fazer sangra denovo,
o congelado coração.

Claudia Rayzer
Enviado por Claudia Rayzer em 12/10/2005
Reeditado em 06/11/2005
Código do texto: T59218

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Sobre a autora
Claudia Rayzer
São Vicente - São Paulo - Brasil, 31 anos
139 textos (6844 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 00:09)
Claudia Rayzer