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ÂNCORA

ÂNCORA


Vais em tua nave por onde quiseres,
deixa-me plantada aqui nesse cais
como os arrimos da arrebentação .
Mas cuida para que não caias
no êxtase dos cálices transbordantes
das falsas bebidas borbulhantes ,
a te transformarem a ti mesmo ,
ébrio nos teus próprios abissais !

Vai , e carrega a tua juventude !
sob esse céu antigo como o tempo,
sobre esse mar movido pelo vento .
Mas cuida que não encantes tu
com os portos engalanados ,
que são as cortinas a esconderem
o umbroso pano - de - fundo
das idas que jamais retornam !

Vai , se é de tua livre vontade !
vai semeando a tua saudade ,
pois a minha , já frutificou .
E quando enfim já cansado ,
de tantos horizontes sem fim ,
há de voltares a esse cais ,
onde as amarras são soltas
e o meu amor é lastro de âncora!


SBC-SP.12/10/2005
autor-J.A.Lopes
José Alberto Lopes
Enviado por José Alberto Lopes em 22/10/2005
Código do texto: T62061
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Sobre o autor
José Alberto Lopes
São Bernardo do Campo - São Paulo - Brasil
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