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EU E ELA

Eu digo: Vem ,ò, já afofei os pêlos do peito, fiz um travesseiro,
vem se aninhar, ronronar macio antes de descer o rio...
Ela diz: Vê, ò, o chumaço de estrelas, algum deus pôs-se a polir
o breu da noite, já se percebe um cometa a esquentar o frio...
Eu digo: Vem, ò, vem brincar de novêlo, girassol ao vento,
largar-se das pedras que nascem no peito, catedral de sal...
Ela diz: Vê, ò, o pingo na parede, parece um desenho, uma face,
uma vontade que parte levando meu corpo ao teu quintal...
Eu digo: Vem, ò, tô saudoso do absinto, do teu fausto labirinto,
verdade, não minto, ainda ontem escrevi um poema vermelho...
Ela diz: Vê, ò, como é bonito o joelho de quem ama, o cotovelo,
percebe essa pinta?, essa curva sem fim do meu escaravelho...
Eu digo: Vem, ò, bonita e sincera e mais linda que vi, te amo,
eu, gamo solto no prado, a aurora dos sentidos te dou de presente...
Ela diz: Vê, ò, meu amado perpétuo, a brisa que corre do vento,
o vento que corre da chuva, a chuva que banha os dentes...
Eu digo: Vem, ò, já se fecha a noite, já se abre o dia, o fogo,
a mistura que dura é aquela que ambos prometem a si, até o fim...
Ela: Vê, ò, à cada razão que morre no leito, por amor, digo sim.  
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 29/08/2007
Reeditado em 29/08/2007
Código do texto: T628846

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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