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Vergonha de Amar

Não é a toa que meu coração
Vive escondido em meu peito.
Ele me cria cada situação
Que as vezes não tem jeito!

Será que ele é igual aos demais?
Não tem um ventrículo a mais?
Sou igual a todos os mortais?
Será que nunca vou ter paz?

Porque ele se comporta assim?
Me coloca de "saia justa"
Veja o que ele fez pra mim,
Uma situação diria injusta!

Ele que determina os meus passos,
Fala alto com meus pensamentos,
Preenche todos os meus espaços!
Embriaga-me de sentimentos!

Certo é que me faz ver
Um mundo melhor a minha volta.
Paz e amor é o seu querer
Ao necessitado sempre se solta!

Dos que sofrem, dos miseráveis,
Se aperta em compaixão.
Com ele são sempre amáveis,
Quando eu estendo minha mão!

Quantas vezes ele me ordenou
Que sacrificasse a minha vida,
Por um ideal que ele abraçou,
Orientando uma alma perdida,

Ao desesperado dando consolo,
Levando valores aos maus...
Ou conscientizando um pobre tolo.
Quantos casais a beira do caos...

Jovem com droga na cabeça,
Convenceu-o a se purificar.
Dando o apoio para que cresça,
E deste mau vício se livrar...

Mocinhas jovens desiludidas,
Viuvas quase mortas na solidão,
Deu rumo a estas perdidas,
Devolveu-lhes de novo o chão!

Ah, quantas lágrimas assisti,
Rolarem nas faces sem pudor,
Quantas vezes de perto eu saí,
Em respeito a sua dor...

Vida humana sem alegria,
Meu coração se compadece,
Lamenta e sofre noite e dia,
Buscando apoio na prece...

Meu amigo do peito agradece
Por ter nascido assim,
A essa gente que carece
Sair desse mundo ruim

Falou palavras bonitas
Cheias de sabedoria,
Recebeu muitas visitas,
Encheu-as de alegria!

Sempre com um sorriso,
Estampado em meu rosto,
Sempre ao ataque foi liso,
Nunca deixando um contragosto.

Meu coração é esse sujeito,
Que tudo isso me proporciona,
Porém mesmo com todo esse feito,
As vezes me impressiona!

Veja que hoje com compromisso,
Vivia eu em paz com a família,
Ele mesmo sabendo disso,
Escapou a minha vigília,

Foi a uma amiga cumprimentar,
Uma que foi seu primeiro amor.
Como ele poderia se segurar
Ou fugir dela? Vamos supor...

Foi logo se escancarando,
Sem a mim pedir permissão,
Foi logo abraçando,
E segurando a sua mão!

Coração desavergonhado,
Como faz isso comigo?
Deixar-me agora enrolado,
Com risco de ter um inimigo?

Como pode lançar seus raios
De olhar assim a essa mulher?
Como pode dar esses ensaios?
Ah, se eu lhe disser!

O que me foi arrumar!
Uma forte ligação,
Um doce amar...
Meu Deus, mas que lição!

Coração meu me escute,
O que tenho a lhe dizer,
Por favor aceite, não lute,
Procure apenas perceber.

Você abriu a minha jóia sagrada,
Deu-a inteira a essa criatura,
Deixou-a completamente amada,
Cobrindo-a de carinho e ternura!

Esqueceu-se do meu enlace,
Como se estivesse no oriente,
Onde com a cultura já se nasce,
Duas mulheres se consente.

Mas aqui nesta nação,
Em pleno ocidente,
Onde isso é traição,
Não é coisa decente!

Mas agora o que fazer?
Diante este dilema?
Tenho que com isso viver,
Assumindo esse problema?

Meu coração que amo,
Que posso dizer que sou eu,
Na verdade é meu amo
Assim Deus escolheu!

Estou inteiramente apaixonado,
Uma paixão no puro Amor!
Nesse sentir aprisionado,
Minha vida cheia de cor!

Minha Ceci é minha vida,
Dela não posso mais afastar,
Que minha vida seja comprida,
Para essa situação se arrumar!

Hoje é a coisa mais bela,
Que poderia ter acontecido!
Hoje a sintonia e união com ela
Que nunca diria já ter vivido,

É lindo, formoso, completo,
Estimulante, feliz, gigante,
Calmante, irradiante, seleto!
Para nós muito importante!

Mas como poderia estar dizendo,
A todos assim de cara lavada...
Tudo isso que estamos vivendo,
Que deixa a nossa vida marcada...?

É lindo sim. Isso eu posso afirmar.
Com ela quero estar sempre junto.
Mas a meu coração eu pergunto:
Devo ter vergonha de Amar?
Leon del Bargo
Enviado por Leon del Bargo em 01/09/2007
Reeditado em 04/11/2007
Código do texto: T634323

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Sobre o autor
Leon del Bargo
São Paulo - São Paulo - Brasil, 56 anos
204 textos (12745 leituras)
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Leon del Bargo