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Em Objetos Sem Vida

Tem vezes em que acordo
E meu coração grevista
Parece desejar
Não mais pulsar
O sangue que o corpo precisa.

São nessas horas que sinto vontade
De ser algum objeto sem vida,
- se é que sem vida eu poderia "ser" -
Daqueles que nem a felicidade
Da morte
Merecem ter.

Queria ser os objetos
Mais simples e presentes
Dos teus dias.

Como as vestimentas
Que do guarda-roupa tu tiras
E com carinho as vestes.

Ou as peças íntimas
Que recebem
Teu corpo molhado
Após um banho
Ou quando excitado.

Queria ser a luz do abajur
Que acende quando chegas cansada
E deitas na cama teu corpo
Pesado e nu.

- o problema seria viver
num objeto morto
e assim te ver
todo dia em contemplação -

A única coisa com vida
Que eu gostaria ser
Seriam as células cardíacas
Do teu coração.
André Espínola
Enviado por André Espínola em 12/09/2007
Reeditado em 12/09/2007
Código do texto: T649210

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Sobre o autor
André Espínola
Recife - Pernambuco - Brasil, 32 anos
247 textos (12437 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 16/10/17 20:18)
André Espínola