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No final do arco-íris

NA ABSTINÊNCIA do vinho e da cerveja
Lá fora chove uma garoa
Dentro de mim está seco
Busco um caminho na tempestade
Encontro um verso em um sorriso
Despido de solidão encontro uma saudade
Sua boca é apenas uma entre outras
Como uma rosa desfazendo-se no vendaval
Sua foto despedaçada em minhas mãos
São como vidros dilacerando meus punhos
Meu desejo move um pensamento
E seu beijo numa gota do oceano
Não é nada como seria em minha boca
Vejo o céu ficar estrelado e sem brilho
Busco castigo onde só vejo redenção
Quero correr, mas não tenho ânimo...
Viver numa ilusão sentido sua falta
Triste, não quero mais ficar...
Solitário, sou sem seu amor...
Num poema encontro um refúgio
Em meus sonhos persigo um alívio
Tudo está escuro em meus olhos
Está consumado ser apenas um boêmio
E não ver seus cabelos nessa brisa
Amar é um sentimento medieval
Abelardo amou Heloísa
Numa imagem de espelho
Escrevendo um poema pra amada
Eu te odeio, eu te amo...
Estilhaçado num momentâneo trovejar
Nessa necessidade de desejo nesse amar
Pela força de seu olhar em troca de sua liberdade
Um misterioso leprechaun  embriagado de vinho...
Revela um pote de ouro no final do arco-íris
Perseguindo um mistério em seu coração
Um grão de mostarda transforma-se em carinho
No cemitério de Père Lachaise
Os apaixonados estão imortalizados
Perdi meu limite em minha voz
Grito um adeus já pronunciado
Em todas as formas de amar
Encontro um abrigo no além-mar
Numa jangada que só cabe meu pesar
Luto com toda minha honra
Mato um verso em meu coração
Destruo um soneto em minhas mãos
Maltrato uma palavra na emoção
Fujo no eufemismo da ilusão
Para suavizar minha dor num amor
Quero simplesmente ser um antídoto
Para neutralizar esse sentimento medievo
Os filósofos acreditavam no final do arco-íris
No disfarce de um poeta, duende e pierrô...
Mesmo numa chama de uma vela
Suplicavam um amor verdadeiro
Encontro inspiração consumindo-se
Versos sem rimas nesse luto sem lira
Que constrói uma rosa murcha
Numa dicotomia de um madrigal
Na harmonia das sete cores
No final do arco-íris simplesmente existirá...
O tesouro do amor ou uma ninharia da dor?
Ton Machado Guimarães
Enviado por Ton Machado Guimarães em 11/10/2007
Código do texto: T689921

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Sobre o autor
Ton Machado Guimarães
Serra - Espírito Santo - Brasil
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Ton Machado Guimarães