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Tua boca


Tua boca.


Ai! me incomoda sua ausência,
mas me constrangem seus olhos,
me observando como o caçador
que cerca e mata sua presa.

É tão estranho sentir isto;
como se o mundo me espremesse
num líquido embriagante e prazeroso
chamado seu desejo!!

Me confunde a sua boca: carne pura
do mais delicioso requinte,
donde me entorpeces, sem defesa
e levas-me onde desejas.

Ah! quanta volúpia e inconseqüência!
Me queres dormente em seu amor
para me guardares no criado-mudo
e fantasiar-me de sua nas noites geladas
em que estiveres sozinho...

Entretanto, não te esqueças; jamais esqueças!
colocas-me no bolso da sua vaidade,
enquanto sou semente, e não me plantes,
nem comas do meu fruto que te envenena,
pois sou quem corre em tuas veias, vertentes
do singelo e sublime sabor de que depende
seu deleite e sua eternidade...


                   São Paulo,07/07/2002.
Eliane Santana
Enviado por Eliane Santana em 18/10/2007
Código do texto: T699897

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Sobre a autora
Eliane Santana
São Paulo - São Paulo - Brasil, 41 anos
69 textos (2858 leituras)
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Eliane Santana