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AS MÃOS

Eu olho as minhas mãos,
Sinto-as às vezes inúteis,
Para uma saudação amiga,
Outras vezes considero-as úteis.

Eu vejo as minhas mãos,
Espalmadas para o cumprimento,
E muitas vezes vejo-as fechadas
Para o justo agradecimento.

Eu tenho as minhas mãos,
Abertas para ao deus rápido,
E depois vejo-as trancadas,
Para um aperto de mão cálido.

Eu contemplo as minhas mãos,
Inertes e incapazes para o perdão,
Depois as olho novamente,
Móveis, agitando-se na solidão.

Eu sinto as minhas mãos,
Bondosas, ágeis e impacientes,
Mas elas também sofrem, trêmulas,
E algumas vezes, à dor alheia, são indiferentes.

Eu movimento as minhas mãos,
Num gesto mal insinuado,
Minhas mãos que são calorosas,
Não respondem a nenhum chamado.

Eu orgulho-me de minhas mãos,
Embora quase sempre estão geladas,
E impassíveis ao sofrimento do mundo,
Sob um pesado silêncio, conformadas.

1.980
JOSE LINS
Enviado por JOSE LINS em 20/10/2007
Código do texto: T702256
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
JOSE LINS
Lins - São Paulo - Brasil, 62 anos
499 textos (31862 leituras)
26 áudios (1988 audições)
4 e-livros (116 leituras)
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