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Infância

Quando menino no armazém de secos e molhados
De João trabalhei – passei o tempo – pela manhã
Abria suas portas, borrifava água, varria a calçada
Empoeirada e limpava o balcão de tábua coerida;
Logo vinha “Zé Padre” pedia uma cachaça da boa,
Comia uma mortadela e saía pela rua cambaleando.

Elegantes professoras de salto alto passavam
Rumo à escola – pequeno grupo escolar- uns
Alunos junto delas passavam, outros vinham
Logo depois, a Praça Santa Rita ficava quase
Deserta, passos de cavalos montados
Por homens vindos da roça quebravam o silêncio
Compravam arroz, feijão e açúcar, montavam
E iam embora, antes, porém alguns também
Ao final, pediam e tomavam uma caninha da boa.

Logo vinham os irmãos “Tutinho e Déia”
Com suas idéias para uma vida melhor, desenhavam
No papel de pão esperanças mirabolantes, lindas
Mansões de alvenaria com quatro ou mais quartos
Querendo ser ricos um dia.

Enquanto isso, nos fundos do armazém, João olhava
No espelho, tirava a barba e penteava o cabelo
Logo sua mãe chegava, mandava chamar Manoel
Que a cidade governava, confabulavam por algum tempo
Depois Manoel ia para casa, João caia no batente
E sua mãe ia embora despedindo-se da gente.

A mãe de João e Manoel foi morar no céu, hoje
Vive juntinha de Deus, João continua na labuta,
Manuel eu não sei se continua ou desistiu da luta
Raimundo foi pro Rio, virou poeta e na serenidade
Das palavras navega, porém, sua obra não completa.
Êta vida besta, meu Deus! Que saudade de Sericita
E da infância no seu apogeu!
R J Cardoso
Enviado por R J Cardoso em 28/10/2007
Reeditado em 28/10/2007
Código do texto: T713237
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
R J Cardoso
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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R J Cardoso

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