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Aurora

Doce aurora, por que me atormentas
Como no passado me atormentavas?
Tua clareza cobre-me o corpo, seduz-me
As carícias inexeqüíveis, pois jamais alguém
Recebeu um beijo meu de face tão combalida.
Contudo, tu persistes minha linda!

Ouço-te com a voz de sempre,
Com o mesmo tom de suaves palavras,
E aquele longo e velho pulsar
Em que te esvaecia de encanto,
Em nosso último repouso macio.

Então, chamo, ouço falar teu nome
De ti a única parte que não se dilui
E persiste vivendo, casto elemento acústico.
Seguro, segurar o quê?
A beleza em que tu resumes
Abraço e beijo, abraço e beijo o nada.

Amada aurora, por que vai e vem
E és tão ilusória e real assim?
Já nem sei mais distinguir se tu és espectro
Ou se espectro tu foste sempre, e nossa vida
Fruto de obras em silabas lidas
Em noites longas entorpecidas.

Terei um dia conhecido teu corpo nu
Teus versos rotos como hoje os conheço
Capturado tua emanação como se captura
Uma casta fantasia no tempo e no espaço.

O amor que perdura em ti já vem,
Minha linda aurora, a perseguir-me,
Afetuosamente, jamais pensei
Que tuas flores se abrissem para mim
Com o mesmo amor de outros dias

Tua chegada com a beleza me alegra.
Tua chegada com a beleza me anima
Tua chegada, clareza que me consola.
R J Cardoso
Enviado por R J Cardoso em 13/11/2007
Reeditado em 13/11/2007
Código do texto: T735251
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
R J Cardoso
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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R J Cardoso

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