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NÓS DOIS

NÓS DOIS

 
Cada vez que te vejo em minha mente,
fico  contente, mas confuso  me pergunto
até que ponto  pode ser indiferente
a essência do que Deus criou pra gente...
Nossas vidas,  um lindo sonho e um assunto.

Teu silêncio  ecoando em nossas almas,
como se uma  dor gritasse o que te cala...
Recordar  sem sofrer ou sentir tal emoção,
é negar-se a vida, ao amor e a razão,
e não ver  os teus olhos quando falam...

Nos instantes que fugimos da verdade,
nossos sonhos  adquirem coerência...
Mas aos poucos vão sendo dizimados,
arrastados pelo o estigma do passado
e não sabemos  a quem pedir clemência...

Pouco a pouco isto entra em nossas vidas,
transformando a mesma num  embrulho...
Já não é possível  suportar tal sofrimento
e já nos deixamos maltratar por tanto tempo,
que gastamos até mesmo nosso orgulho...

Ao lidar com os vazios das nossas vidas,
sem lutar por alguém pra preenchê-los
estreitamos os caminhos que trilhamos,
sufocados no espírito,   os expulsamos
e não pensamos em Deus sem ofendê-lo...

Iludir-se com o amor, para nós é ilusão...
Sonhar sem sofrer, já seria um lindo sonho...
Pouco a pouco esta vida que nos resta,
programada para o nada a que se presta,
é tão triste que às vezes me envergonho...

Já não sentimos o calor desta matéria,
que talvez não seja a mesma dos visinhos...
Há um dilema que agride nossas almas
e tantas vezes nos faz perder a calma,
esta sina de termos que andar sozinhos...

Nós ficamos à esperar que o tempo passe
e quem sabe um milagre aconteça...
Mas procuro encontrar no pensamento
alguma coisa do passado e não me lembro
de ter feito alguma coisa que o mereça...

Resta a vontade de correr dessa verdade...
Fugir do  campo onde deveríamos lutar...
Mas não podemos condenar nossa existência,
ao destino do arbítrio e da imprudência
de não termos nem um ombro pra chorar...

Sejam lágrimas de tristeza ou de saudade,
de alegria ou de grandes emoções...
Não importa, porquê tudo se confunde,
no momento que sem perceber assumes
a fraqueza que te  impõe as tentações...

Ao voltares, talvez pela mesma estrada.
e espantada porquê na ida não notou,
animais que estão sempre se amando,
relvas num tapete em flor brotando
e em revoada, te sintas um beija-flor...

Sentirás que novamente estais sonhando
e entre os sonhos, sempre há um mais feliz...
Volatarás a olhar o mundo com atenção...
Reaprenderás a ouvir teu coração,
gritando por tudo que sempre quis...

Nos momentos em que sentires solidão
por motivos que não entendas claramente,
pra se mesma, cante que já renasceu,
que a dor de ser sozinha já morreu,
que teu espírito expandiu-se novamente...

Dirás ao mundo que tua dor foi removida,
para um lugar onde o amor a antecede...
Transportarás  todo o teu ser ao paraíso...
Removerás céus e terras, se preciso...
Sentirás que amar e viver é que procede...

Pela vontade de crescer e sentir felicidade...
Pela face triste de uma alma que declama,
e a mão amiga que na dor, vem e embala...
Pelos nossos motivos que as vezes nos retalha
e essa fome de amor e vontade que reclama...

Pelo silêncio que nos impôs esta espera...
Pela doçura de uma vida com esperança...
Pela fé que modifica a dor da experiência...
Lutaremos por toda nossa existência,
seremos o que já fomos em criança...

Nosso passado e futuro se separam,
mas nossas forças poderão está unidas...
Não importa o sofrimento que tivemos,
nem tão pouco quantos erros cometemos
se no final da luta, resgatamos nossas vidas...

Faremos tudo para acreditar no próximo,
correndo o risco de sofremos novamente...
Daremos asas para o corpo a para alma,
vivendo tudo plenamente e sem ressalva,
redescobrindo o prazer de sermos gente...

Nunca mais vamos chorar um amor perdido...
Apagaremos da mente, a palavra desengano...
Vamos ouvir de grandes mestres, sinfonias...
Transformaremos toda tristeza em alegrias...
Pensaremos que Deus refez o ser humano...

................................................................

Obrigado mestra Roberta Lessaa:

relendo

TÃO LINDO QUE ME SILENCIA
   TÃO SUAVE QUE ME AMPLIA
      TÃO BELO QUE ME DELICIA
         TÃO BONITO QUE ME MOBILÍA
      TÃO LEVE QUE ME ALIA
    TÃO DOCE QUE ME GERENCIA
TÃO DELICADO QUE REFERENCIA

              Para o texto:
NÓS DOIS (T740505)

Jacó Filho
Enviado por Jacó Filho em 17/11/2007
Reeditado em 25/11/2015
Código do texto: T740505
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Jacó Filho
São Paulo - São Paulo - Brasil, 68 anos
3429 textos (290465 leituras)
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Jacó Filho