Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O HOMEM DA PRAÇA



ANDO A PERAMBULAR PELAS RUAS DA CIDADE,
NÃO TENHO AMORES, SEGREDOS,
NÃO TENHO ORGULHO, TÃO POUCO VAIDADE,
MINHAS ROUPAS SÃO RETALHOS
E ESTA NOITE SERÁ FRIA,
RETALHADO, ESTÁ MEU CORAÇÃO,
QUEM QUISER ME AJUDAR, ACEITO TUDO,
ACEITO UM AMIGO, OU QUEM SABE, UM PEDAÇO DE PÃO.
SE A GARRAFA ESTÁ VAZIA
E MEUS SONHOS PENDURADOS EM UM SORRISO SEM FELICIDADE,
DE UMA VIDA SÓ DE MEDOS,
ANDO A PERAMBULAR PELAS MÁGOAS DA CIDADE.
PÁSSAROS VIVEM A CANTAR PARA MIM
E MEU CANTO É LÍRICO E TRISTE,
INFELIZMENTE, TORNEI-ME ASSIM,
FRUTO DE UMA SOCIEDADE INDIVIDUALISTA,
SÍMBOLO DA CAPACIDADE REAL DE UM INÚTIL,
PEDINTE DA RAZÃO DE SER O QUE SOU,
O FAGELO DO FLAGELO DE UM FLAGELADO,
O NATAL DO RATO SEM SUA CEIA,
A GARRAFA ESTÁ QUASE CHEIA,
EM MINHA CAMA DE CONCRETO, LÁ NA PRAÇA,
DEITO MEU CORPO SUJO E CANSADO,
LÁ EU SONHO E ATÉ ACHO GRAÇA,
E ADORMEÇO EM MINHA DESGRAÇA.
SE MEU MAU-CHEIRO TE INCOMODA,
PEÇA A DEUS PARA QUE CHOVA,
POIS ASSIM, BANHAR-ME-HEI,
MAS SE MINHA VIDA NÃO VALE NADA,
 PEÇA A DEUS PARA QUE EU MORRA.

POETASP
Enviado por POETASP em 18/11/2007
Código do texto: T741781

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
POETASP
São Paulo - São Paulo - Brasil, 51 anos
354 textos (17584 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/08/17 23:36)
POETASP