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TEMPESTADE

 
DEPOIS DA TEMPESTADE,
NA ABONANÇA, SOBREVIVI,
OU MELHOR, MINHA METADE.
QUERO DIZER, PARTE DE MIM,
MINHAS LÁGRIMAS SE CONFUNDIRAM
COM O INFORTÚNEO MAR
QUE ME LEVOU AOS BECOS SEM SAÍDA,
ONDE, EM CADA BECO, DEIXEI MEUS SEGREDOS,
ONDE, EM CADA SEGREDO, DEIXEI MINHA VIDA.
FUJIDA MULTIDÃO E ME AGARREI AO VENTO,
LEVADO PELO MESMO, NÃO TIVE DESTINO,
MAS NÃO CONTAVA COM O MAU-TEMPO,
E NA TEMPESTADE, CHOREI FEITO MENINO.
MEU CORAÇÃO FOI ENCONTRADO
NA CORRENTEZA SAGRADA DE UMA VALETA,
NO AMPARO DA ÁGUA POR LIXOS ACUMULADOS,
NO COPO QUEBRADO EM CIMA DA MESA.
DEPOIS DA TEMPESTADE, SOBREVIVI,
MAS NA ABONANÇA, EU TE PERDI,
MINHAS LÁGRIMAS SE CONFUNDIRAM COM A CHUVA,
E FATALMENTE, AS ENCHENTES ME TROUXERAM ATÉ AQUI,
MAS AFOGARAM O MEU AMOR,
E COM MUITA DOR,
EU SIMPLESMENTE, NÃO TE ESQUECI.

POETASP
Enviado por POETASP em 26/11/2007
Código do texto: T753022

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Sobre o autor
POETASP
São Paulo - São Paulo - Brasil, 51 anos
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