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Sei lá, mil coisas.(saudades)

Sei lá, mil coisas.

Sei lá, mil coisas, e eu que conhecia cada parte do seu corpo
 não lembro mas do seu rosto, as vezes me pego de surpresa
por não pensar em você, não sentir sua falta, nunca aconteceu
isso antes, sempre fica a lembrança, da parte que me toca hoje,
parece que de tudo não sobrou nada, fico cansado só de lembrar.
As fotos ficaram amareladas como se tivessem muito... muito tempo.
E ficou só o desgaste que surgiu do desgosto, do desagrado, da mágoa.
E eu que conhecia cada parte do teu corpo, não lembro mas do seu
telefone, as mensagens do celular foram apagadas junto com as fotos
tiradas, as chamadas perdidas se perderam no tempo, do mesmo modo
o seu endereço, a tela do meu celular e a foto na minha carteira, eu fiz
um backup, foi tudo apagado. Foi tão rápido amar você, foi tão rápido ti
esquecer, você acabou com tudo em um segundo, você diz: sou “normal”,
e ser normal também é uma forma de afetação, muito pior do que se pensa.
É como ser ex de si mesmo, ter medo dos sentimentos, não aceitar as diferenças,
procurar o caminho mais fácil e o caminho mais fácil nem sempre é o verdadeiro. Sei lá, mil coisas, e crescer dói. Se libertar das marcas da
infância e da adolescência ingênua, que nos remete à experiências que
outrora esquecemos, mas no subconsciente nos impedem de vivermos
novas experiências, pois é mais fácil vivermos do passado do que nos
comprometermos em construir o futuro, colocar em um pedestal quem
não pode mais errar, não pode te magoar e nem te enganar, comparar
dois planos diferentes e como querer viver a vida esperando a morte, e
o que é pior, sem viver. A espera pode ser bela, mas a fuga da vida é
absurda, a vida é dom de Deus e quem se esconde não querendo viver,
se esquece do que se comprometeu antes de nascer, mas como saber?
Basta olhar para você e ver que anda em círculos, não se liberta das
marcas da família, do passado, mas sofre com isso, perde a sua liberdade,
e se esconde na sua casa, na sua rotina, até o dia que tem que voltar para realidade, e entre idas e vindas faz da fuga uma rotina enquanto o tempo
se encarrega de tornar perecível tudo que é vida. Você não pode mudar o passado, mas pode escrever um novo futuro. Crescer, a dor é inevitável, mas
o sofrimento é opcional, não sei se isso é uma mistura de poesia, carta, ou
psicográfia, mas você não pergunta, e nem acredita. Não importa eu não
ligo, então vamos vivendo nossas vidas, de Ricardo para você, sem nexo,
sem documento, só para quem entende em 23 de outubro de 2007, beijos.
 
Ricardo di Paula.
Ricardo di Paula
Enviado por Ricardo di Paula em 27/11/2007
Reeditado em 02/12/2007
Código do texto: T754363

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Sobre o autor
Ricardo di Paula
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 49 anos
327 textos (71788 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 22/08/17 10:30)
Ricardo di Paula