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Letras 0212 - O cais e a saudade



Outro dia, e o cais continua vazio,
o tempo deu volta nas costas como açoite,
o mar se foi com seus barcos grandes,
dolorido como os dias que não tem noite.

Bem o sol apareceu e acordo do sono,
o sonho não tem mar, não tem maldade,
o medo volta ao porto,
nem o dia aproxima da saudade.

Sou viajante do desejo alheio,
tenho de mais valor é a paixão no peito,
carrego uma mala com certos desejos,
cala-me quando a dor aparece sem jeito.

Tudo é frio, nada ferve mais que o prazer,
voa amigo, vai buscar o ontem do mar,
continua o vento avisando da tempestade,
traz o jeito sem jeito do meu sonhar.

Desço a areia fazendo rimas com o pensamento,
leva a imagem do amor afora num segundo,
desenho o rosto enquanto a água sobe a onda,
até onde ela se esconde no fim do mundo.

Carrego comigo pedaços de saudades,
também bebo do copo que regou de magoa,
untadas com paixões desfeitas na maré,
enquanto miro seu rosto no espelho d'agua.

30/11/2007
Caio Lucas
Enviado por Caio Lucas em 30/11/2007
Código do texto: T759447
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Sobre o autor
Caio Lucas
São Paulo - São Paulo - Brasil, 69 anos
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Caio Lucas