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RECADO

RECADO

 
Tu, que um dia me surgiste do nada,
Tu, que do mundo agora és chegado,
Do meu amor, por quem fui deixada,
Dize-me, dele trazes recado?
 
 
Não há o que temer, dize rápido!
Essas nuvens que vês ao redor
Não chovem punhais nem são de lápides...
Não temas! Meu amor é maior!
 
 
Dá-me o recado, sei que o trazes!
O meu amor mandou-o pra mim!
Conta-me! Tua mudez são tenazes,
Tortura pior que meu próprio fim!
 
 
Dá-me a certeza de que estou certa,
Que ele apenas quis ver além-mar,
Que a vida deixou a porta aberta,
Neste recado que vais me dar.
 
 
Que ele ainda me ama e me quer,
Que me deseja nas entrelinhas,
Que pra ele sou a única mulher.
Dize-me! Não vês? Tu me definhas!
 
 
E se esse é o recado mandado,
É o que eu, do meu amor, esperava.
Outro não seria, pois meu amado
É a causa do que me faz escrava.
   
 
E, depois volta, conta o que viste,
Das nuvens que me cercam, tão densas,
Das horas nuas, a dor que persiste!
Saiba ele do amor que me compensa!
 
 
Dize-lhe que sou toda de esperas,
Vida que me dei por sua esmola,
Que ele é a causa dessas quimeras,
Sonhos presos; sem porta a gaiola!
 
 
Faze-o saber que, quando voltar,
Se não tiver meus olhos fechados,
Meu corpo intacto lhe será altar
Para que nele queime em pecados.
 
 
 
 
Lizete Abrahão
Enviado por Lizete Abrahão em 04/12/2005
Código do texto: T81054

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Sobre a autora
Lizete Abrahão
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Lizete Abrahão