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Poema 0533 - Crepúsculo



Hoje não estou triste, apenas pensativo,
não é tão tarde para sonhar, ainda não é o crepúsculo,
preciso conhecer este teu novo mundo, acredito nele,
não sei onde estava, não sei por onde procurar,
quem sabe uma janela entreaberta no meio do corpo.

Hoje acordei em um vazio de minha alma,
não lembro outras noites, não me lembro amante,
estou triste, um pouco agora quando acordei,
sempre que as lágrimas tentam me avisar já está tarde,
não tenho agora nenhum pedaço de sol para me aquecer.

Hoje um estranho azul pintou meu céu, não o meu azul,
não aquele que fez festa quando bateu a minha porta,
feriu os olhos tal brilho fosco de alegria, saudade?
Talvez preciso mudar minha confiança, mudar de meu corpo,
voltarei noutra noite, menos perdido, menos louco.

Hoje o sol não viu a lua, não vi o sol, não senti teu corpo,
o vento não mudou o ritmo do meu mundo, não existe tempo,
quando longe minha mente foge das lembranças,
como se fosse a morte chegando devagar mostrando dentes famintos,
então sinto que me perdi entre um e outro poente.

Hoje quero milhares de mãos fazendo festa em meus cabelos,
tentarei ver as pessoas como simples pessoas, sem fantasias,
preciso não ferir meu coração, não agora, sou estatua de carne,
nada vai mudar ao meu redor, eu sim, voarei até um céu qualquer,
talvez seja mesmo o crepúsculo, a morte natural do poeta.

15/12/2005
Caio Lucas
Enviado por Caio Lucas em 15/12/2005
Código do texto: T86478
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Sobre o autor
Caio Lucas
São Paulo - São Paulo - Brasil, 68 anos
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Caio Lucas