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Insulto ao Amor

Onde estás Amor,
Que dizes existir, e não te encontro?
Continuas a prostituir palavras,
Como se fossem só tuas,
Como se as tivesses inventado…
É este o meu desconsolado fado…
Canta-me, não me fales,
Canta-me e faz-me voltar a acreditar que existes.
Se fosses real eu via-te…
Não tinhas medo de me enfrentar,
De ser confrontado com as minhas perguntas,
As minhas dúvidas e os meus anseios.
Não finjas que és real,
Como faz o Homem de Deus.
Deus não existe, não o vejo…
Deus faz mal a quem não merece, como tu!
Porque te fazes de tão autêntico, se enganas?
Porque me acordas, quando durmo?
Porque corrompes os meus sonhos,
Sem culpa, ou piedade?
Não existes de verdade,
Ao contrário agarravas-me durante a noite…
Não entravas de socapa no meu repouso,
Sem te poder tocar…
Se existes és mau, mas não acredito que existas…
Foste inventado pelo Homem, como Deus…
Ou por homens, que sempre quiseram ter várias mulheres.
Então, inventaram-te para se desculparem perante Deus,
Porque o desejo carnal é pecado.
E continuas a partir o meu coração,
Porque acreditava em ti — como outros acreditam em Deus —
E ris-te, com prazer, se é que existes,
Por conseguires destruir o pouco em que acreditava,
O mais verdadeiro que tinha para dar.

16 De Dezembro de 2005
Vera Lorena
Enviado por Vera Lorena em 16/12/2005
Reeditado em 17/12/2005
Código do texto: T86840

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Sobre a autora
Vera Lorena
Portugal
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