Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Eu, Tu, Ele, Nós Poetas

Fala poeta, fala tua fala, revela tua nudez verbalizada
Nesse (in) preciso caminho (in) certo, esse teu
Fala poeta! Cárcere da contínua imaginação
Deixa tua paixão aflorar e deflorar a inocência camuflada
Fala poeta! Não se esquive desse momento inócuo, em vão
Envolva-se nessa ilusão de tempo, de ação, da verdade
Não tema poeta, dizer tua realidade ilógica, (des) mascarada
Fala, poeta da ira e da esperança vãs e tantos afãs
Cante o choro carrasco do afeto vil do amor servil
Conte o desespero diante da vida inópia
Rasgue o véu da hiprocrisia latente nossa própria
E se junte aos míseros atos humanos, desconexos
Fala Poeta! Dessa tua miserabilidade cognitiva
E transcenda sonhos fantásticos coniventes complexos
Voe poeta, embale o infinito (uni) verso da palavra
Não busque a razão do que pode ser sentido vivido
Apenas sinta e viva cada emoção. Ame... encante...sofra... morra...
Mas, poeta não deixe de existir! De passar por aqui!
Ah, Poeta, que benção pagã essa tua imaginação
Que desnuda a verdade e enobrece o engano, a ilusão
Que acalma o fogo ardente da paixão
E incendeia a serenidade do sentimento inerte
Fala Poeta! Cante as alegorias dantestas de tua alma
Paradoxal reflexão... necessária fantasia, diabólica inspiração
Viaja poeta, mergulhe-se, envolva-se, perca-se ... divino ato
Agrida padrões medíocres desse idealismo humano
Latentes ismos
Perca-se na útil vulnerabilidade existencial
Fala Poeta! Não perca esse êxtase alucinante momentâneo
Fala poeta que tua fala consola e ilude, afinal
Inebriante da lucidez poeta e prova-a desvirtuada
Solta teu grito poeta, na sutileza de teu verbo carcomido
Pelo inexpressável sabor de tua fala decantada
Nada irá onde for sem teu rastro aniquilado sonhador
Nada esboça realidade pior que a tua, nem melhor nem maior
Nem sonha nem fere mais que teus versos dispersos loucos
Ancorados nas águas revoltas da imaginação insana, suprema
Tanto menos têm tua coragem inspiradora medonha
livres verbos soltos
Abra a alma adormecida e inquieta da solidão enfadonha, poeta
Participe no parto indecifrável da paixão falante, poeta que é!
Latente corrosivo da fragilidade dos amantes mudos
Obscuros e não revelados, temerosos frustrados, infelizes, dispersos
Fala poeta que bom é entregar-se inteiramente livres
Experimentar a força inefável do amor não consentido
Ainda que incompreendido condenado, deslizes
Fala Poeta, revela tua alma, alguém há que te ouvir!
Há quem queira ser Você...
Então fala poeta, permita-se existir!


Poema encenado no VII Mural de Poesias Da Universidade Estadual do Centro-Oeste - Guarapuava-Pr. Editado na Coletânea VII do Fala Poeta - UNICENTRO- 2003. p.15
NENINHA ROCHA
Enviado por NENINHA ROCHA em 05/04/2006
Reeditado em 15/04/2006
Código do texto: T134379
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
NENINHA ROCHA
Guarapuava - Paraná - Brasil, 56 anos
310 textos (10917 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 02:47)
NENINHA ROCHA