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Alguns Versos à Porto de Galinhas


Sentado sobre uma jangada deixada na areia ainda branca da praia,
Reflito acerca do que aconteceu nessa pequena localidade, nessa vila,
Antiga morada de pescadores, onde existia amor e harmônia,
O que fizeram a ti, ó amado Porto?
Virastes quase o inverso do que eras, o oposto?

Lembro-me dos tempos da minha infância,
Das brincadeiras, da natureza, do saudoso paraíso,
Das pescarias, dos passeios à cavalo, dos nossos rísos,
Hoje lamento pelo que vejo, de fato não existe herança,
Herança de paz, solidariedade, vida simples, vida em comunidade,
Acabaram-se os pescadores, as lavadeiras, símbolos da antiga sociedade.

Tudo foi absorvido, suprimido, destruído,
A exploração turística promoveu o fim de um tempo feliz,
O dinheiro consumiu os habitantes dessa praia repleta de glórias,
Hoje tudo é para o turista, pouco para os habitantes, eis a história.

Os pescadores tornaram-se bugueiros ou garçons,
As lavadeiras tornaram-se garçonetes ou arrumadeiras,
As ruas foram cobertas pelo concreto, ao invés da areia,
E as residências viraram pousadas, lojas, bares e casas de som.

Enfim, sentado sobre essa velha jangada,
Choro pelo que essa praia foi no passado,
Terra histórica, porto que descarregava escravos,
Terra da água de côco, dos peixes, da mangaba,
O que fizeram a ti, ó Porto amado?

Deixaram-te sem a tua famosa beleza natural,
Eis o reflexo do desenvolvimento "econômico" e "social",
Deixaram-te sem os antigos ofícios dos nativos,
Não sobraram resquícios, parecem nunca terem existidos.

A minha voz e o meu pranto não mudarão a realidade,
Essa praia nunca mais terá paz, nunca mais será a mesma,
Mas pelo menos pratiquei um gesto de amor, de pura solidariedade,
Por essa terra, por essas areias, por esse verde, eis a minha homenagem.


 

*Todos os Direitos Reservados pelo Autor.
Fábio Pacheco
Enviado por Fábio Pacheco em 01/05/2006
Reeditado em 02/05/2006
Código do texto: T148588
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Sobre o autor
Fábio Pacheco
Recife - Pernambuco - Brasil
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