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MORTE SÚBITA DAS TORRES GÊMEAS


As torres gêmeas
emudeceram-se pela eternidade!
Um céu de jatos, fogos e mísseis
chuviscou pela cidade.

E eu, feito estátua de pedra, amarguei este sentimento, calado, assim como toda a humanidade.

Estou doente...
Amargurado e confuso em meus pensamentos.
Vejo esqueletos, cinzas e rastros de morte no firmamento.
Sinto que sou Homero só pelo fato de ser Homero.
Sinto que sou estátua
e creio que morrerei.
(desmoronado pelo apocalipse do rei)

Minha confusão aumenta o sentido de morrer dentro de minh’alma.
Sinto-me “estátua da Liberdade”, e sendo assim,
morrerei uma morte sem fim!

Eu, feito estátua,
assisto ao caos e a miséria
de um povo desclassificado:
aquele que não vive a vida em vida e não sabe viver a morte...!
odeio-te, pois, eu também me despedaço
junto aos cacos e entulhos,
não há remédio.
E assim sendo, eu, feito estátua:
_ morro de tédio!

Para morrer, sou muito novo,
para viver, preciso de uma explicação.
Ainda preciso deixar versos transparentes nas ruas solitárias.
Fala-me, Oh! Príncipe terrorista em revolução,
esqueceste de mim junto aos mortos...
Qual será nossa grande lição?

Cuido em não ser mais estátua,
cansei de amar a vida e julgar ter sido amado.
Aparências. Eu não fui amado...

A chuva lavou o amor que estava se grudando em mim feito gelatina na borda do copo de vidro. Dissolveu-se em prantos...

Morrerei no nonagésimo andar das torres gêmeas,
sentirei calor, frio e vento,
sufocar-me-ei em suas fumaças cinzas,
futuras gerações vãs
lubrificando fêmeas
manhãs.

Nada, e ninguém me impedirá,
bastará abrir a janela
e estilhaçar a vidraça.
__tenho que agir rápido antes que outro o faça...
Permanecerei mudo, imóvel,
como vidente em confissão,
farei um vôo rápido até o impacto com o chão.


Se os homens fossem mais humanos e universais,
seriam mais felizes,
mágicos e irmãos,
olhariam com outros olhos
para o infinito
e contemplariam-se pequenos grãos.

Agora somos apenas almas procurando sonhos
através das janelas
das torres gêmeas.
Somos o nada que restou do mundo dos seres humanos!


...for you U.S.A.


AVIENLYW - (11/9/2001)

WILDON LOPES
Enviado por WILDON LOPES em 26/06/2006
Código do texto: T182808
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
WILDON LOPES
São Paulo - São Paulo - Brasil, 57 anos
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